Brasil suspende transmissões ao vivo na rede social Discord após morte de adolescente

Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinou que bloqueio ao aplicativo de conversas após caso de suicídio, em iniciativa para reforçar a proteção de jovens usuários de plataformas populares de mídia social. Empresa diz que promoção da violência não tem lugar na plataforma

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Bloomberg — A Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinou que o aplicativo de conversas Discord suspenda as transmissões ao vivo no país após a morte de uma adolescente, em mais uma iniciativa para reforçar a proteção de jovens usuários de plataformas populares de mídia social.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (12), a ANPD afirmou que as transmissões ao vivo e recursos semelhantes de compartilhamento de vídeo deverão permanecer suspensos até que o Discord adote medidas para proteger crianças e adolescentes. Entre elas está a adoção de políticas “razoáveis” para prevenir riscos a menores associados ao acesso a conteúdos perigosos, incluindo materiais que promovam violência e automutilação.

O órgão regulador deu à empresa, sediada em São Francisco, três dias para cumprir a determinação.

A ordem foi emitida após uma menina de 13 anos morrer por suicídio durante uma transmissão ao vivo na plataforma, depois de supostamente ter sido incentivada por outros usuários a se mutilar. Na semana passada, a primeira-dama Rosângela da Silva pediu ao Ministério da Justiça e à Advocacia-Geral da União que retirassem imediatamente a plataforma do ar.

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A ANPD informou que não bloqueará totalmente o acesso ao Discord, mas apenas ao recurso “Go Live”, usado para transmissões ao vivo em servidores privados.

“O objetivo é reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação a que estão sendo expostas as crianças e adolescentes”, afirmou a ANPD no comunicado.

Procurado para comentar, um porta-voz do Discord ressaltou que “grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem a violência não têm lugar” na plataforma, segundo comunicado enviado à Bloomberg News.

“Investigamos rapidamente e encerramos o servidor privado, acessível apenas por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e continuamos cooperando com as autoridades na investigação”, afirmou o porta-voz.

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Ele acrescentou que a apuração interna da empresa encontrou indícios de que a atividade criminosa havia sido coordenada anteriormente em outras plataformas e continuou nelas depois que os envolvidos foram banidos do Discord.

Às vésperas de sua tentativa de reeleição ainda neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado reforçar a proteção de menores de idade no ambiente digital. Em março, o Brasil implementou uma lei que exige que empresas e plataformas restrinjam o acesso de jovens a conteúdos ilegais ou considerados nocivos.

Lançado em 2015 como um aplicativo de conversas voltado a gamers, o Discord se expandiu e se tornou uma plataforma de comunicação online de uso amplo. Segundo seu site, conta com 90 milhões de usuários ativos diariamente.

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Nos Estados Unidos, a plataforma também tem enfrentado questionamentos sobre suas práticas de segurança infantil, tanto em ações judiciais individuais quanto por parte de procuradores-gerais estaduais, que alegam que a empresa não tem feito o suficiente para proteger usuários jovens.

Diferentemente das redes sociais tradicionais, mensagens e vídeos no Discord são publicados em servidores individuais, e não em um feed público, o que torna a moderação da plataforma mais complexa. Críticos, porém, afirmam que existem mudanças mais abrangentes que o Discord poderia implementar para aumentar a segurança.

O Discord está agora implementando uma tecnologia de verificação de idade, inclusive no Brasil, que espera usar para moderar melhor a experiência de crianças e adolescentes na plataforma.

O Discord apresentou confidencialmente, em janeiro, um pedido para uma oferta pública inicial de ações (IPO).

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