Rússia limita exportações de fertilizantes até dezembro em meio a crise global

Fechamento efetivo do estreito de Ormuz cortou cerca de um terço do comércio marítimo de fertilizantes, alimentando o temor de crise alimentar mundial

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Bloomberg — A Rússia estendeu as cotas de exportação de fertilizantes até dezembro, à medida que o déficit global se aprofunda devido à guerra do Irã e às interrupções no Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o comércio marítimo de nutrientes.

Os produtores russos estão autorizados a exportar 20 milhões de toneladas de fertilizantes no período de 1º de junho a 30 de novembro, informou o governo em um comunicado na quarta-feira (22).

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O fechamento efetivo do estreito cortou cerca de um terço do comércio marítimo de fertilizantes, alimentando o temor de uma crise alimentar.

As nações correram para garantir suprimentos alternativos para os agricultores, mas os principais produtores, incluindo a China e a Rússia, limitaram as exportações, forçando os compradores a pagar prêmios por volumes limitados.

A Rússia, o segundo maior produtor de fertilizantes do mundo, é responsável por cerca de 20% do comércio global. Ela já está priorizando o fornecimento doméstico, com a atual cota de exportação de 18,7 milhões de toneladas até o final de maio. Os agricultores russos também desfrutam de preços reduzidos.

Os novos limites abrangerão 8,7 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, mais de 4,2 milhões de toneladas de nitrato de amônio e cerca de 7 milhões de toneladas de fertilizantes complexos, de acordo com o governo.

As cotas não se aplicarão aos suprimentos de fertilizantes para as regiões separatistas da Geórgia, Abkhazia e Ossétia do Sul, que são apoiadas pela Rússia, nem às remessas de trânsito internacional e às entregas fornecidas como parte da ajuda humanitária no exterior.

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Os preços dos fertilizantes nitrogenados são quase o dobro do que eram antes do início da guerra do Irã em fevereiro. Quanto mais tempo Ormuz permanecer fechado, maior será o risco de os preços subirem ainda mais, levando os agricultores a cortar as aplicações de nutrientes.

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