Rotas de grãos sob ataque: trigo dispara após ofensiva entre Rússia e Ucrânia

Ucrânia atacou embarcações russas no Mar de Azov, enquanto Moscou mirou portos ucranianos no Mar Negro; interrupções na navegação elevaram temores sobre o fluxo de exportações e impulsionaram os preços do trigo no mercado futuro

Por

Bloomberg — A Rússia e a Ucrânia atacaram mutuamente seus principais pontos de exportação de grãos durante a madrugada, após a interrupção do tráfego marítimo no Mar de Azov no dia anterior, o que provocou um aumento acentuado nos preços do trigo.

A Ucrânia atacou quatro embarcações com drones na Baía de Taganrog, no Mar de Azov, após um ataque à região na sexta-feira que interrompeu o tráfego marítimo por um importante corredor de exportação.

Entre as embarcações estava um navio-tanque que transportava metanol, embora não houvesse risco de derramamento ou vazamento, afirmou o governador da região de Rostov, Yuri Slyusar, em uma postagem no Telegram no sábado. O ataque causou a morte de um marinheiro a bordo de uma das embarcações.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Os serviços de emergência extinguiram totalmente os incêndios em Taganrog e no Mar de Azov na manhã de sábado, de acordo com uma postagem separada de Slyusar.

A Rússia suspendeu temporariamente a navegação pelo Canal Don-Azov, uma via navegável que liga o rio Don ao Mar de Azov, informou a Reuters, citando fontes do setor de exportação de grãos.

O país também fechou o Estreito de Kerch, que conecta o Mar de Azov ao Mar Negro, a partir da noite de sexta-feira, informou a agência de notícias.

Os preços do trigo dispararam à medida que os operadores avaliavam possíveis interrupções no transporte marítimo após os ataques da Ucrânia.

No total, a Ucrânia atacou 28 embarcações da frota russa durante a madrugada no Mar de Azov, incluindo petroleiros e navios de carga seca, afirmou Robert Brovdi, comandante de uma unidade de drones ucraniana conhecido como Madyar, em uma postagem no Telegram.

Ele também informou que 76 navios foram atingidos desde 6 de julho, uma afirmação que não pôde ser verificada de forma independente.

Os portos do Mar de Azov não são comumente utilizados para o carregamento de petróleo bruto russo destinado à exportação; os petroleiros que lá operam transportam principalmente derivados de petróleo para a Crimeia, ocupada pela Rússia, e áreas vizinhas, onde a escassez de combustível tornou-se comum neste verão.

As forças russas atacaram Kiev durante a madrugada, ferindo 11 pessoas na capital ucraniana, afirmou o presidente Volodymyr Zelenskyy em uma postagem nas redes sociais, como parte de uma investida envolvendo 120 drones e 12 mísseis em várias regiões.

Entre os alvos estava a região de Odessa, na Ucrânia, incluindo os portos de Odessa e Chornomorsk, no Mar Negro, bem como Izmail, às margens do rio Danúbio, informou o Ministério da Defesa da Rússia em uma publicação, alegando que os ataques tiveram como alvo infraestruturas relacionadas à guerra.

Leia também: Guerra provoca corrida global por fertilizantes e expõe riscos de segurança alimentar

Odessa e Chornomorsk são centros-chave para os embarques de grãos da Ucrânia, enquanto Izmail se tornou um centro de exportação desde que a invasão em grande escala da Rússia interrompeu as rotas tradicionais de transporte marítimo.

O governador da região de Odessa, Oleh Kiper, afirmou na noite de sexta-feira que as forças do Kremlin atacaram a área com mísseis de cruzeiro, visando a infraestrutura portuária.

Alertas de ataque aéreo foram acionados em toda a região na manhã de sábado, e as forças russas atacaram uma instalação de infraestrutura em Odessa, afirmou Serhiy Lysak, chefe da administração militar da cidade de Odessa, em uma publicação, sem fornecer detalhes.

A Rússia enfrentou 178 drones durante a madrugada, inclusive nas áreas dos mares Negro e de Azov, informou o Ministério da Defesa.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Tensão no Estreito de Ormuz ameaça oferta de fertilizantes para Brasil e Argentina

Conflito no Oriente Médio pressiona insumos, mas dá impulso aos grãos, diz CEO da Bunge