Mosaic vai paralisar fábricas de fertilizantes no Brasil após disparada do enxofre

Decisão reflete alta dos custos por risco geopolítico no Oriente Médio, expõe vulnerabilidade do agronegócio do país no setor de fertilizantes e representa um revés para os esforços de reduzir sua dependência de nutrientes agrícolas estrangeiros

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Bloomberg — A fabricante de fertilizantes Mosaic vai paralisar a produção de cerca de um milhão de toneladas de fosfato no Brasil, em um momento em que o risco geopolítico no Oriente Médio elevou os preços do insumo-chave.

A Mosaic começará a paralisar suas instalações em Araxá e Patrocínio “como parte de seus esforços para reduzir custos e realocar capital”, afirmou em comunicado na terça-feira (7).

A empresa também planeja prosseguir com a venda de seus ativos em Araxá.

A decisão ocorre em meio à disparada dos preços do enxofre, que é usado na produção de fertilizante fosfatado.

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Mosaic disse em dezembro que iria paralisar a produção em suas plantas de Fospar e Araxá devido ao aumento dos custos de insumos.

Os preços do enxofre já estavam elevados devido ao aumento da demanda da mineração de metais. Mas o conflito no Oriente Médio os elevou ainda mais, com preços à vista no Brasil subindo 40% desde o início da guerra no mês passado, segundo dados da Bloomberg Green Markets até 3 de abril. Quase metade do comércio mundial de enxofre está vulnerável a interrupções no Estreito de Ormuz.

Embora as tensões tenham diminuído depois que os EUA e o Irã concordaram, na noite de terça-feira, com um cessar-fogo de duas semanas, com o Irã se comprometendo a reabrir o Estreito de Ormuz, é provável que a turbulência no mercado continue.

A normalização do transporte marítimo pode levar meses, e os armadores ainda aguardam provas de que o trânsito permanecerá seguro, o que significa que as interrupções nos carregamentos de enxofre são “estruturais, não temporárias”, de acordo com Manuja Pandey, que cobre fertilizantes na ICIS, empresa de precificação de commodities.

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Os fechamentos da Mosaic no Brasil representam um revés para os esforços do país de reduzir sua dependência de nutrientes agrícolas estrangeiros. A potência agrícola importa a maior parte de seus fertilizantes, incluindo mais de três quartos de seu consumo de fosfato.

Outra produtora de fosfato, a Itafos, paralisou, no mês passado, novos pedidos no Brasil durante uma semana, enquanto avaliava seus custos com enxofre.

O CEO David Delaney disse na quarta-feira que a empresa continua “muito cautelosa” e ainda espera que os preços do enxofre continuem mais altos na comparação ano a ano.

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A Mosaic afirmou que suas paralisações devem ter impacto limitado nos lucros, em meio aos elevados custos do enxofre. Na terça-feira, as ações da Mosaic caíram até 4,5% após a notícia do cessar-fogo, antes de reduzirem a maior parte das perdas.

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