Minerva vê falta de gado e guerra pressionarem margens de lucro dos frigoríficos

Empresa brasileira reportou lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre do ano passado, mas espera que a produção global de carne bovina possa cair até 1 milhão de toneladas neste ano por conta do contexto internacional

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Bloomberg — A redução na oferta de gado no Brasil, maior exportador de carne bovina, e o aumento dos custos do frete devido à guerra no Irã devem pressionar ainda mais as margens de lucro dos frigoríficos, segundo um dos maiores produtores da América do Sul.

“Você tem pressão de custo relevante em tudo quanto é lado,” disse Edison Ticle, diretor financeiro da Minerva, na quarta-feira (19), quando a empresa divulgou seus resultados trimestrais. “Esses fatores fazem a gente pensar em 2026 com margens piores do que a gente teve em 2025”.

Isso representaria uma mudança para algumas das maiores empresas de processamento de carne do mundo, que, no ano passado, se beneficiaram da abundante oferta de gado no Brasil e da forte demanda global por carne bovina.

Agora, os preços do gado estão subindo, pois os pecuaristas começam a reter fêmeas para recompor os rebanhos. Ao mesmo tempo, a guerra no Oriente Médio está elevando o custo do frete marítimo.

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As empresas de carne bovina ainda podem conseguir elevar os preços e repassar parte desses custos aos consumidores, já que a forte demanda global coincide com a queda na produção em algumas regiões, afirmou Ticle.

A Minerva espera que a produção global de carne bovina possa cair até 1 milhão de toneladas neste ano, com a oferta nos EUA sendo afetada pela escassez de gado, enquanto outros países produtores de carne bovina, como a Austrália, também devem reduzir a produção.

A guerra também está afetando as exportações de frango, já que o Brasil é um grande fornecedor dessa proteína para o Oriente Médio.

Ainda assim, a processadora brasileira de carnes MBRF Global Foods, que também divulgou o balanço na quarta-feira (18), disse ter estoques suficientes na região, o que permite à companhia garantir o abastecimento por “um período prolongado”.

Miguel Gularte, CEO da MBRF, disse a jornalistas que a empresa já havia adotado uma estratégia de manter estoques próximos à sua rede de distribuição no Oriente Médio, uma decisão que a ajudou a enfrentar períodos de surtos de doenças no Brasil.

Gularte também afirmou que o aumento nos custos do frete está sendo incorporado aos preços pagos pelos importadores. “Não há dificuldades, pois o cliente está disposto a cobrir essa taxa porque sabe que é um custo real, não especulativo”, disse.

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A MBRF reportou lucro líquido de R$ 91 milhões no quarto trimestre, uma queda de 92% em relação ao ano anterior, devido ao aumento das despesas financeiras. Os resultados ficaram abaixo das estimativas de mercado, com a MBRF apontando para os impactos dos juros altos no Brasil, que elevaram o custo da dívida da empresa.

O Minerva, por sua vez, teve lucro líquido de R$ 85 milhões no quarto trimestre, revertendo um prejuízo de R$ 1,6 bilhão no mesmo período do ano anterior. Ainda é cedo para que os resultados mostrem qualquer impacto após a China ter imposto cotas às importações de carne bovina.

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