JBS vê diversificação de produtos e de mercados como proteção contra ciclo do gado

Empresa tem reforçado investimentos em proteínas distintas e em outros mercados, como o Oriente Médio; receita cresce 12% em 2025, para US$ 86,2 bilhões, mas perdas na operação de bovinos dos EUA pressionam as margens

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Bloomberg Línea — A diversificação segue como a principal estratégia da JBS (JBS) para atravessar o ciclo adverso do boi nos Estados Unidos, que continua pressionando margens, enquanto o Brasil começa a enfrentar custos mais altos com a retenção de fêmeas.

“Encerramos o ano com uma empresa mais forte e eficiente”, afirmou o CEO global, Gilberto Tomazoni em teleconferência de resultados da empresa nesta quinta-feira (26).

Nos últimos anos, a empresa tem reforçado sua estratégia de diversificação de investimentos em proteínas e em outros mercados - ainda que os Estados Unidos e o Brasil respondam, ainda, pela maior fatia dos negócios.

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Recentemente, a JBS anunciou o investimento de US$ 150 milhões para reforçar a presença no Oriente Médio a partir de Omã. Essa estratégia, segundo os executivos da companhia, segue como o principal amortecedor do ciclo do gado.

No balanço financeiro divulgado na noite de quarta-feira (25), a receita líquida no consolidado do ano avançou 12% no período, para US$ 86,2 bilhões, com margem Ebitda de 7,9%. O lucro líquido somou US$ 2 bilhões, alta de aproximadamente 15% na comparação anual.

Nos Estados Unidos, a oferta de gado segue restrita, o que elevou os custos e reduziu a rentabilidade do segmento de bovinos.

Ao se levar em conta apenas a operação americana de carne bovina, o Ebitda foi negativo em US$ 319 milhões em 2025, revertendo resultado positivo no ano anterior, com margem negativa de 1,1%.

Em entrevista à Bloomberg News logo após a divulgação do balanço financeiro na quarta-feira (25), Gilberto Tomazoni disse que a JBS enfrenta “margens menores nos Estados Unidos”, o que indica que o ciclo pecuário ainda não virou no país.

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Essa visão é corroborada por outras empresas que atuam no país. No mês passado, o CEO da National Beef, controlada da MBRF, Tim Klein, disse que acreditava que o “pior ficou para trás” em relação ao ciclo bovino no país, mas que uma mudança significativa em relação ao ciclo só deveria acontecer a partir de 2027.

Apesar da maior pressão nos EUA, outras regiões e segmentos contribuíram para sustentar o resultado consolidado.

A JBS Austrália foi um dos destaques no resultado da companhia, beneficiada pelo desequilíbrio global entre oferta e demanda de carne bovina e maior aposta em produtos de maior valor agregado.

A receita da unidade para o ano foi de US$ 8,08 bilhões, crescimento de 21,5% no período.

No Brasil, a receita somou US$ 15,29 bilhões no ano, avanço de 21,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o balanço financeiro da empresa, os preços mais elevados compensaram parcialmente o forte aumento dos custos do gado no período.

Em entrevista à Bloomberg News, Tomazoni falou sobre o aumento recente dos custos no Brasil devido a uma mudança cíclica no mercado, com os pecuaristas retendo mais fêmeas justamente para recompor os rebanhos.

Apesar dessa leitura não impactar o resultado da companhia no quarto trimestre poderá representar novas pressões para o futuro.

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A visão do Itaú BBA

Segundo relatório do Itaú BBA divulgado nesta quinta-feira (26), o resultado da empresa superou as expectativas, com destaque para resiliência operacional e o desempenho em aves e em algumas geografias, que compensaram parcialmente o ambiente adverso em bovinos.

O quarto trimestre reforça essa leitura. O Ebitda ajustado somou US$ 1,72 bilhão, queda de 7,1% na comparação anual, refletindo a pressão de custos, mas acima do consenso de US$ 1,6 bilhão, segundo dados compilados pela Bloomberg. A margem Ebitda ficou em 7,4%, abaixo dos 9,2% de um ano antes, ainda que acima das estimativas.

A receita líquida trimestral cresceu 15%, para US$ 23,06 bilhões, enquanto o lucro líquido foi de US$ 415 milhões, praticamente estável na comparação anual.

“As margens resilientes da Seara, sustentadas pela retomada das exportações para a Europa e a China, também devem trazer algum alívio para investidores que acompanham de perto a dinâmica do mercado de frango”, escreveram os analistas do banco no documento.

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