Enxurrada de soja brasileira para China atrapalha vendas dos EUA

Preços brasileiros têm se beneficiado da depreciação cambial e da queda dos prêmios em regiões produtoras, mantendo os embarques mais competitivos

Seca no rio Mississippi, nos Estados Unidos
Por Tarso Veloso
20 de Outubro, 2023 | 12:09 PM

Bloomberg — Um salto de 600% nos embarques de soja brasileira rumo à China no próximo mês ressalta como os Estados Unidos perdem terreno em um dos mercados agrícolas mais importantes do mundo.

A China já reservou pelo menos 95 carregamentos da safra brasileira entre agora e o final de novembro. No próximo mês, já estão programados 52 navios, ante sete um ano atrás, segundo a Alphamar Agência Marítima.

Enquanto isso, as exportações de soja dos EUA caíram 40% em relação à safra passada. É uma queda impressionante, considerando que a janela ideal para as remessas americanas geralmente começa em outubro, durante a colheita, e continua nos meses seguintes.

A commodity é o principal produto agrícola de exportação dos EUA, com vendas para outros países que somaram US$ 34 bilhões no ano passado.

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A seca e o verão mais quente de todos os tempos minguaram o rio Mississippi, uma importante hidrovia para a soja do Meio-Oeste até os portos do Golfo do México, no litoral sul dos EUA.

Os custos de frete dispararam, tornando as exportações dos EUA menos competitivas em um momento em que a colheita normalmente as tornaria mais baratas em relação aos suprimentos de outros países.

O Brasil, por outro lado, ainda tem estoques disponíveis da safra recorde colhida no início do ano, com embarques que devem superar as estimativas.

China Feasts on Brazilian Soybeans After Bumper Harvest | Chinese importers book more cargoes in the fourth quarter

“A janela de exportação americana não é um evento de apenas um mês e competirá com a oferta brasileira até o início de 2024″, disse Victor Martins, gerente de risco para América Latina da corretora Amius.

Isso sugere que as exportações brasileiras provavelmente serão superiores aos 97,5 milhões de toneladas previstas pelo Departamento de Agricultura dos EUA em outubro, enquanto as americanas deverão ser menores, disse Martins. As vendas dos EUA para a China estão no nível mais baixo desde 2019.

Os preços brasileiros se beneficiaram da depreciação cambial e da queda dos prêmios em regiões produtoras, mantendo os embarques mais competitivos em relação aos americanos até dezembro, disse Martins.

Isso começará a mudar quando os estoques brasileiros se esgotarem e as chuvas elevarem os níveis das águas do Mississippi, reduzindo os custos de frete e tornando a soja do país mais barata.

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Os custos de frete nos EUA já apresentam tendência de queda depois de atingirem um pico em setembro.

E há sinais de que os estoques de soja brasileira começam a se esgotar antes do início da colheita, em fevereiro. Os locais estão oferecendo pagar preços acima dos de exportação, o que tornará os embarques brasileiros para a China mais caros em relação aos do Golfo do México, nos EUA. Em última análise, isso deve levar a menos oferta externa do Brasil, disse Martins.

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