China renova habilitação para carne dos EUA enquanto Brasil se aproxima de cota

Renovação das licenças para frigoríficos dos EUA ocorre em meio às negociações entre Trump e Xi Jinping e pode abrir espaço para a retomada do comércio agrícola, com impacto sobre exportadores como Brasil, Austrália e Argentina

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Bloomberg — A China renovou as licenças de importação para centenas de fábricas de carne bovina dos Estados Unidos, em um momento em que os líderes das duas maiores economias do mundo se reúnem em Pequim para estabilizar as relações comerciais e geopolíticas.

As licenças foram renovadas na quinta-feira e geralmente são válidas por cinco anos, de acordo com pessoas com conhecimento direto do assunto que falaram à Bloomberg News e que pediram para não serem identificadas, pois não estão autorizadas a falar com a mídia.

O escritório de alfândega da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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Pequim, no ano passado, permitiu que as autorizações de importação de centenas de frigoríficos dos EUA caducassem depois que o presidente Donald Trump travou uma guerra tarifária agressiva com o objetivo de reordenar o comércio global em favor dos Estados Unidos.

Isso efetivamente afundou o comércio, e os embarques de carne bovina e produtos relacionados dos EUA para a China caíram cerca de 67% entre 2024 e 2025, enquanto as exportações totais no ano passado caíram 12%, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

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As últimas renovações ocorrem no momento em que Trump se encontra com o líder chinês Xi Jinping, na primeira visita de um líder americano em quase uma década, e é um sinal positivo inicial sobre o que mais poderia sair da cúpula observada de perto.

Espera-se também que os dois lados cheguem a um acordo sobre a retomada do comércio de outros produtos agrícolas, como as compras de milho e soja americanos pela China.

Os produtores domésticos de carne da China têm enfrentado excesso de oferta e enfraquecimento do consumo, o que levou Pequim a colocar cotas sobre as importações de carne bovina, buscando proteger o setor local. Isso causou um golpe no Brasil, que já está perto de atingir sua cota anual, e em outros grandes exportadores, como Austrália e Argentina.

Enquanto isso, os EUA não utilizaram grande parte de suas alocações na China. As renovações de licenças para suas fábricas podem abrir caminho para que os suprimentos dos EUA assumam uma parcela maior do maior mercado de carne bovina do mundo no futuro.

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A China também é um destino importante para carnes de órgãos, para as quais há pouca demanda nos EUA, e a perda desses compradores fez com que os preços médios desses produtos caíssem quase 40%, de acordo com o Meat Institute, um grupo do setor com sede em Washington.

Isso reduziu o valor das carcaças de gado para os frigoríficos dos EUA, que já estão perdendo dinheiro com cada cabeça de gado que processam em meio a uma grave escassez de animais.

--Com a ajuda de Wenshan Luo e Shuiyu Jing.

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