Cacau atrai dinheiro novo e Brasil quer dobrar produção

Boom do cacau no país é mais do que apenas uma promessa, com produtores de diferentes regiões plantando novas árvores, que darão frutos nos próximos dois a três anos

Futuros de cacau sobem mais de 70% este ano
Por Dayanne Sousa
24 de Novembro, 2023 | 01:08 PM

Bloomberg — Os produtores de cacau no Brasil preparam uma volta por cima dramática.

Décadas depois de o país perder seu status de grande produtor mundial por causa da praga da “vassoura de bruxa”, que dizimou plantações na Bahia, o setor tem recebido dinheiro novo e os produtores se expandido para novas áreas de cultivo.

“O Brazil tem uma enorme oportunidade de retomar o papel de protagonista na cadeia global”, disse Valmir Ortega, fundador da Belterra Agroflorestas, que planta cacaueiros e outras árvores frutíferas em áreas degradadas. O projeto conta com o apoio de gigantes como Cargill e o fundo de fomento criado pela Vale (VALE3).

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O Brasil pretende dobrar a produção de cacau até 2030. Essa é uma das metas da comissão do cacau do país, a Ceplac. Já em 2025, o Brasil deve produzir o suficiente para atender à demanda interna, segundo a diretora do órgão, Lucimara Chiari. Isso reduziria a necessidade de importar, ajudando a aliviar a grave escassez global do ingrediente do chocolate.

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“De todos os países produtores de cacau, o Brasil tem o maior potencial de crescimento”, disse Chiari.

Brasil espera retomada na produção de cacaudfd

O projeto deve trazer alívio para o mercado global de cacau, que enfrenta uma queda de estoques causada por mau tempo e doenças nos principais países produtores, Costa do Marfim e Gana. Os reveses na África puxaram um salto de quase 70% nos futuros de cacau este ano.

A iniciativa CocoaAction Brasil mapeou pelo menos 24 projetos em andamento no país, com um investimento total de mais de R$ 150 milhões.

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O boom do cacau no país já é mais do que apenas uma promessa. Produtores de diferentes regiões plantam novas árvores, que darão frutos nos próximos dois a três anos.

Um desses agricultores é Moises Schmidt, que recentemente plantou cacau em Barreiras, um município no interior da Bahia que fica a cerca de 1.000 quilômetros das áreas tradicionais de cultivo.

Agora ele está expandindo as plantações em parceria com a Cargill. É uma mudança marcante para a empresa familiar Schmidt Agrícola, que há mais de quarenta anos se especializou no cultivo de algodão, soja e milho.

“A cacauicultura ficou presa no passado”, disse Schmidt. Diferentemente dos métodos tradicionais, sua empresa utiliza maquinário moderno e investiu em mudas que resistem ao clima mais seco de sua região. “Esse é o futuro.”

Até uma empresa de biocombustíveis entrou no setor. A Brasil Biofuels, que produz combustível a partir do óleo de palma, começou a introduzir pés de cacau em seu viveiro e espera cultivar 1.000 hectares no próximo ano.

Preços do cacau sobem com pouca oferta globaldfd

A atual produção brasileira de cacau representa uma fração do que é cultivado na África, que responde por quase três quartos da oferta mundial. O que torna o Brasil relevante é a capacidade de aumentar a produção para responder à demanda crescente, enquanto os produtores africanos carecem de recursos.

Talvez a maior ameaça aos ambiciosos planos do Brasil para o cacau ainda seja a saúde das árvores. Mais de 30 anos após o primeiro surto da praga da “vassoura de bruxa”, um novo fungo chamado monilíase assombra os produtores.

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Combater esse risco exigirá ainda mais investimentos, disse Anna Paula Losi, presidente executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). Ela acredita que o Brasil está preparado para o desafio.

“Temos mais conhecimento e recursos agora”, disse.

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