Bloomberg — O ministro da Agricultura de Angola afirmou que pode começar a buscar novos parceiros, pois sua paciência está se esgotando com empresas brasileiras que vivem mudando as condições para investir nas terras agrícolas do país, mesmo após a identificação de vastas áreas para desenvolvimento.
Angola não vai mais “implorar” para que empresas brasileiras invistam nos projetos agrícolas do país, disse Isaac dos Anjos. “Não estou mais disposto a me ajoelhar e pedir: venham”, disse ele durante um fórum de agronegócio Angola-Brasil em Luanda, na quarta-feira 912). “Se não quiserem vir, não precisam vir.”
No ano passado, a nação do sudoeste africano identificou 800.000 hectares de terra para que empresas brasileiras realizassem estudos e desenvolvessem projetos. Desde então, os dois lados discutiram uma estrutura de financiamento envolvendo instituições de ambos os países, mas ainda não firmaram compromissos concretos, afirmou Dos Anjos.
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Investidores brasileiros continuam levantando obstáculos, apesar de Angola ter atendido às condições que eles haviam estabelecido para o investimento, disse Dos Anjos.
“O que falta agora? O setor financeiro precisa dizer se está disponível” para apoiar os projetos, disse ele. “Se não houver movimento, terei de buscar outros parceiros.”
Nações em busca de segurança alimentar e novos mercados — incluindo China, Emirados Árabes Unidos e Brasil — comprometeram-se a investir no setor agrícola de Angola após o país implementar reformas abrangentes.
No ano passado, o país disponibilizou quase 2 milhões de hectares de terras agrícolas para investidores estrangeiros, oferecendo concessões isentas de impostos e permitindo que os investidores exportem 60% de sua produção.
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Em julho de 2025, Angola assinou acordos agrícolas no valor de US$ 350 milhões com empresas chinesas, incluindo a Citic Construction — para desenvolver 100 mil hectares de soja e milho — e a estatal Sinohydro, construtora de usinas hidrelétricas, para cultivar 30 mil hectares de grãos.
Katia Abreu, ex-ministra da Agricultura do Brasil, ao discursar no mesmo evento, pediu paciência, afirmando que os agricultores precisam de tempo, segurança e apoio antes de se comprometerem com uma nova “fronteira agrícola”, como Angola.
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