Bloomberg — A WHG, gestora brasileira de recursos e wealth management fundada por ex-executivos do Credit Suisse, está reforçando sua recém-criada equipe focada em ações locais.
A empresa, que administra mais de R$ 20 bilhões, contratou Lucas Rossi, ex-SPX Capital, como trader de ações, além de Matheus Videira, ex-BTG Pactual, e Phelipe Francesco, ex-Vista Capital, como analistas, segundo comunicado. Daniel Debessa, que acumula passagens pela empresa de serviços financeiros Monte Bravo e pela XP, será diretor de operações.
A WHG anunciou em agosto a contratação dos ex-gestores da Brasil Capital Danilo Deutsch e Fernando Sampaio para liderar sua nova estratégia focada em ações locais. O fundo Polaris, lançado em setembro, aproveitou a alta das ações brasileiras em meio às eleições presidenciais.
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O Ibovespa acumula alta de 10% em outubro, impulsionado pelo desempenho do senador de direita Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais, que o colocou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reforçou sua condição de favorito para o segundo turno, em 25 de outubro. Sob Bolsonaro, o mercado espera que o país tenha melhores chances de enfrentar um déficit crescente nas contas públicas, embora ele ainda não tenha apresentado um plano detalhado sobre como pretende fazê-lo.
“A gente já estava com um posicionamento otimista porque estava vendo muitas oportunidades no mercado pré-eleição”, disse Deutsch em entrevista. “Veio essa surpresa do resultado, e o que a gente fez foi adicionar um pouco mais de risco, mesmo com o movimento de alta, muito com uma cabeça de que isso pode ser o começo de um ciclo melhor”.
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Os valuations deprimidos e a perspectiva de uma retomada dos fluxos de investidores tanto locais quanto estrangeiros estão entre os motivos para o otimismo de Deutsch, acrescentou. As ações brasileiras continuam descontadas, com o Ibovespa sendo negociado atualmente a 9,40 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, ante uma média de 10,05 vezes nos últimos 10 anos.
Os investidores têm evitado as ações brasileiras nos últimos anos, à medida que os juros permaneceram em dois dígitos, atraindo recursos para produtos de renda fixa que oferecem retornos mais elevados. Tanto os investidores institucionais quanto os de varejo estão próximos das mínimas históricas em termos de participação nas negociações de ações locais, respondendo por 24,3% e 10,5% do mercado em setembro, respectivamente, segundo dados da B3.
Apesar dos ganhos recentes, Deutsch e Sampaio ainda veem as ações sendo negociadas a valuations atraentes, com mais espaço para alta sob um governo mais pró-mercado e perspectiva de juros mais baixos.
“A Polaris não é um trade eleitoral, mas um projeto institucional da WHG em um momento de mercado contracíclico, em que a gente realmente vê uma oportunidade interessante,” afirmou Sampaio. “Mas claramente, essa combinação de valuation e fluxo muito baixo nos deixa mais otimistas com tudo.”
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