Bloomberg Línea — O preço dos novos iPhones da Apple supera amplamente a renda mensal daqueles que recebem o salário mínimo em algumas das maiores economias da América Latina e do Caribe, como o Brasil e o México, tomando como referência o valor anunciado nos EUA.
A Apple apresentou na quarta-feira (9) seus novos smartphones emblemáticos, o iPhone 18 Pro e o 18 Pro Max, e entrou no mercado de celulares dobráveis com o lançamento do iPhone Duo.
O iPhone 18 Pro terá um preço inicial de US$ 1.199 para a versão de 256 GB, o que representa um aumento de US$ 100 em relação ao iPhone 17 Pro.
Enquanto isso, o iPhone 18 Pro Max terá preço inicial de US$ 1.299, também na versão de 256 GB.
Para a comparação, toma-se como referência o preço do aparelho nos EUA, já que o valor final em cada país pode variar devido a fatores como custos de importação, impostos, margens dos distribuidores e taxa de câmbio.
Nesse sentido, o preço local pode estar bem acima do anunciado pela Apple nos EUA, mas, mesmo assim, já representa uma diferença significativa no que diz respeito a quantos salários mínimos as pessoas teriam que destinar a essa compra.
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“A diferença regional não se resume simplesmente a ‘a Apple cobra mais’: é o resultado da interação entre moeda, impostos, estrutura de custos e segmentação do mercado”, disse à Bloomberg Línea na Colômbia, Clara Inés Pardo, doutora em economia e professora da Universidade do Rosário.
Ele destaca que a taxa de câmbio explica a direção e uma parte significativa da magnitude das diferenças, mas os impostos e os custos locais determinam, acima de tudo, a diferença final. “É por isso que o preço do iPhone funciona quase como um pequeno ‘experimento’ de economia internacional: permite observar como um produto homogêneo assume preços muito diferentes, dependendo das condições macroeconômicas e fiscais de cada país”.
Segundo a acadêmica, a América Latina possui estruturas tributárias muito diferentes. “O IVA/IGV e as tarifas aduaneiras, quando aplicáveis, são incorporados ao preço final; a isso somam-se os custos alfandegários, de logística, armazenamento, distribuição, garantias e comercialização”.
O Brasil é um caso particularmente ilustrativo, pois sua estrutura tributária e os custos de operar em um mercado com complexidade federal podem gerar uma diferença significativa em relação ao preço praticado nos Estados Unidos.
No caso do Brasil, tomando como referência o preço nos EUA, o iPhone 18 Pro básico custaria cerca de R$ 6.104, em um país onde o salário mínimo vigente é de R$ 1.621. Ou seja, o iPhone 18 Pro de referência equivaleria a 3,8 salários mínimos mensais no Brasil.
No México, com a cotação atual, o preço do iPhone 18 Pro equivale a cerca de MXN$ 20.352, enquanto o salário mínimo para 2026 é de MXN9.582. Ou seja, o preço de referência do iPhone 18 Pro equivale a pouco mais de dois salários mínimos.
Na Argentina, com base no preço de referência dos EUA, o iPhone 18 Pro básico custaria cerca de ARS$ 1,82 milhão, em um país onde o salário mínimo é de ARS$ 382.800. Ou seja, o iPhone 18 Pro em questão equivaleria a 4,8 salários mínimos mensais.
No caso do Chile, a conversão do preço do iPhone 18 Pro equivale a cerca de CLP$ 1.123.219, enquanto o salário mínimo é de CLP$ 553.553. No Chile, o preço do iPhone 18 Pro equivale a pouco mais de dois salários mínimos mensais.
No caso da Colômbia, a conversão do preço do celular da Apple resulta em cerca de COP$ 3,7 milhões, e o salário mínimo no país é de COP$ 1,7 milhão (sem contar o chamado auxílio-transporte). Portanto, o preço do iPhone 18 Pro básico equivale a aproximadamente 2,1 salários mínimos mensais na Colômbia.
No Peru, o preço do iPhone 18 Pro equivale a S/.4.018, sendo que o salário mínimo é de S/.1.130. Com isso, o iPhone 18 Pro equivale a 3,56 salários mínimos mensais no Peru.
O cálculo favorece países como o Uruguai e a Costa Rica, que têm alguns dos salários mínimos mais altos da América Latina, medidos em dólares, e, portanto, oferecem maior poder de compra aos consumidores.
No caso do Uruguai, a conversão do preço do aparelho anunciado para os EUA resulta em UYU$ 48.257, enquanto o salário mínimo subiu recentemente, em julho, para UYU$ 25.383. Portanto, o preço do aparelho equivale a 1,9 salários mínimos mensais no Uruguai.
E na Costa Rica, considerando um valor equivalente de ₡$543.904 e um salário mínimo de ₡$ 373.092, os consumidores precisam destinar cerca de 1,5 salários mínimos mensais.
Um caso extremo é o da Venezuela, onde o preço do iPhone 18 Pro nos EUA equivale a cerca de Bs. 980.809, enquanto o salário mínimo legal é de apenas Bs. 130. Isso significa que o aparelho custa o equivalente a cerca de 7.545 salários mínimos mensais.
“A principal disparidade fica evidente quando se compara esse preço com os salários: em algumas economias, os consumidores enfrentam, ao mesmo tempo, renda mais baixa e preços mais altos pelo mesmo celular”, resume Paula Chaves, analista de mercados da empresa financeira Greyhound Trading.
“Isso reflete diferenças no poder aquisitivo, na estabilidade econômica, na carga tributária e nas condições de concorrência. A estratégia comercial também influencia, pois o preço de um produto global de alta gama não diminui proporcionalmente à renda de cada país”.
Nesse sentido, ele destacou que tomar o preço norte-americano como referência “permite mostrar quanto um mesmo produto representa em relação ao salário mínimo de cada economia. O preço local inclui os custos adicionais que o comprador enfrenta em seu país. Em ambos os casos, a equivalência salarial mede o esforço econômico, e não os meses reais necessários para economizar, pois as pessoas também precisam arcar com suas despesas essenciais”.