Bloomberg Línea — O bitcoin chegou ao último dia do simpósio de Jackson Hole acima dos US$ 80.000 e, naquela mesma sexta-feira, caiu para perto de US$ 77.000, embora tenha se recuperado pouco depois e voltado a ser negociado em torno de US$ 79.000.
Mas como as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, podem afetar a cotação da criptomoeda mais popular?
“Os sinais de Kevin Warsh são um bom lembrete de que o bitcoin ainda é negociado, em parte, como um ativo sensível à liquidez global”, explicou Julián Colombo, diretor da Bitso para a América do Sul.
Nesse sentido, o executivo afirmou que “um discurso mais duro por parte do Fed (que priorize a redução da inflação em vez de estimular o crescimento) exerce pressão de baixa no curto prazo, como ocorreu após Jackson Hole”.
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Apesar dessa sensibilidade, Colombo ressaltou que “o fator estrutural não mudou: a demanda institucional, o avanço regulatório nos Estados Unidos e o amadurecimento da infraestrutura financeira em torno das criptomoedas continuam sustentando a tendência de longo prazo”.
Por fim, o diretor da Bitso para a América do Sul concluiu: “Para os usuários da Bitso, nossa recomendação é sempre a mesma: pensar no bitcoin com um horizonte de médio a longo prazo e não tomar decisões com base na reação de um único dia a um discurso do Fed”.
Em uma análise publicada pelo CryptoSlate, Liam “Akiba” Wright, editor-chefe do veículo especializado, apontou outro fator: um Fed que mantenha aberta a possibilidade de juros mais altos torna o dinheiro em caixa e a dívida de curto prazo mais atraentes em comparação com um ativo como o bitcoin, que não gera rendimento.
Nesse cenário, a demanda específica por ETFs pode amortecer essa pressão. Os ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos acumularam mais de US$ 1,1 bilhão em entradas líquidas ao longo de quatro pregões até 27 de agosto.
Os principais destaques de Warsh para o ecossistema cripto
A newsletter do analista Lark Davis resumiu os principais pontos do discurso sob a ótica da indústria de criptomoedas. Entre as declarações que considerou mais relevantes, destacou o alerta de que “embora os dados de inflação deste verão tenham sido melhores do que o esperado, eles não indicam para mim que as tendências subjacentes tenham melhorado de forma significativa”.
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Davis também chamou a atenção para a reafirmação do compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e para o alerta de que, se os preços não mostrarem melhora, “temos trabalho a fazer”. Nesse contexto, lembrou que o PCE, indicador de inflação preferido pelo Fed, havia ficado acima do esperado no início desta semana.
Na avaliação de Davis, a afirmação de que a economia “parece ter se fortalecido” sugere que, diante de uma atividade econômica mais firme, a trajetória dos preços passa a ocupar posição prioritária na política monetária.
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O analista também destacou que o presidente do Fed esclareceu que seus comentários buscam estabelecer diretrizes, embora tenha pedido que não fossem classificados como “orientação futura”.
Após o discurso, a probabilidade de uma alta dos juros em setembro saltou para 57% no CME FedWatch, ante cerca de 35%. Davis também observou que o bitcoin reagiu em queda: recuou da faixa de US$ 80.000 para menos de US$ 77.000, embora depois tenha recuperado parte das perdas e voltado a se aproximar de US$ 78.000. As ações e os metais também sofreram impacto imediato.