Bloomberg Opinion — O presidente americano Donald Trump pode considerar as pesquisas de opinião pública como “fake news” o quanto quiser. Isso não muda o fato de que ele está em apuros políticos — mesmo segundo institutos de pesquisa que costumam lhe dar índices mais favoráveis.
O sempre confiável RealClearPolitics, até segunda-feira (31), registrava uma média de aprovação do trabalho de Trump um pouco abaixo de 40% — um número desanimador até mesmo para o presidente polarizador em seu segundo mandato. Médias confiáveis de pesquisas do The New York Times e do Silver Bulletin, newsletter publicada pelo experiente analista político Nate Silver, também mostram Trump perdendo terreno entre os eleitores americanos, ambos com índices em torno de 38%. Mas se isso não for prova suficiente da precária situação política do presidente, considere o seguinte:
Os índices de Trump vêm despencando nos dados coletados recentemente pela Morning Consult, Rasmussen Reports e RMG Research — todas instituições de pesquisa confiáveis que costumam apresentar índices de aprovação mais altos do que seus concorrentes.
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Em suas três pesquisas mais recentes, o presidente interino registra um índice médio de aprovação de cerca de 44% (Morning Consult), 42% (Rasmussen) e 43% (RMG Research).
Então, por que algumas empresas de pesquisa costumam mostrar Trump com índices de aprovação mais altos do que seus concorrentes? E por que isso não está acontecendo atualmente?
A Rasmussen, cujas mensagens pró-Trump fizeram com que os democratas passassem a encarar seus dados com desconfiança, gera números de acompanhamento da aprovação presidencial a partir de uma triagem de “eleitores prováveis” que se divide da seguinte forma: 35% democratas, 33% republicanos e 32% independentes.
“Estamos bastante confiantes de que nossos números baseados em eleitores prováveis refletem, de fato, o sentimento nacional desses eleitores”, disse Ted Carroll, presidente da empresa. Quanto à queda de Trump em suas pesquisas diárias, Carroll atribuiu a culpa à guerra com o Irã: “quando há notícias que apontam para uma resolução favorável das hostilidades com o Irã, observamos saltos de uma noite para a outra”, explicou ele. “Quando chegam más notícias, vemos essa tendência se reverter.”
Além de medir a avaliação dos eleitores sobre o desempenho de Trump no cargo, a RMG avalia sua força política de maneira ampla, pedindo que se concentrem nas questões e apresentando-lhes esta pergunta: se tivessem que escolher entre quatro candidatos de “caráter e competência iguais”, vocês prefeririam candidatos que defendessem “políticas semelhantes às de Trump”, aqueles associados aos republicanos “tradicionais”, aos democratas “tradicionais” ou à deputada de Nova York Alexandria Ocasio-Cortez, que é socialista? A maioria dos eleitores pesquisados pela RMG costumava optar pelo candidato com “políticas semelhantes às de Trump”.
Mas isso tem mudado gradualmente desde que Trump voltou à Casa Branca — e, na perspectiva do presidente, para pior. “Quando o presidente Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025, 38% afirmaram preferir políticas semelhantes às de Trump. Esse número caiu para 28% atualmente.
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“O número de quem se identifica como ‘republicano tradicional’ está se aproximando”, disse o presidente da RMG, Scott Rasmussen. Ele fundou a Rasmussen Reports, mas deixou a empresa em 2013 e não tem mais vínculos com ela. A Morning Consult não respondeu às minhas perguntas.
As conclusões da RMG estão em linha com o que outras institutos de pesquisa e analistas políticos vem observando.
A base eleitoral leal a Trump continua comprometida com ele como sempre. Isso não é insignificante. Esses são os americanos responsáveis pelo nível de apoio anormalmente alto do presidente nas pesquisas que remontam à sua primeira presidência.
No entanto, Trump venceu duas vezes (e perdeu uma vez, mas por uma margem estreita) porque sua coalizão eleitoral incorporou republicanos tradicionais de todas as tendências: conservadores fiscais, defensores do livre comércio, falcões da política externa, constitucionalistas e eleitores que preferem estadistas moderados a provocadores bombásticos.
Em 2024, a amplitude do apoio a Trump foi particularmente impressionante, com apoio de hispânicos e eleitores mais jovens que foi maior do que o habitual para um candidato do Partido Republicano.
Mas os índices de apoio entre todos eles — sem falar nos eleitores independentes e indecisos — vêm diminuindo constantemente, deixando Trump e seu partido politicamente vulneráveis à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam.
“O maior problema que Trump enfrenta é que ele está perdendo apoio entre os eleitores mais ricos e com maior nível de escolaridade, que são os mais propensos a comparecer às urnas em novembro”, disse Paul Sracic, pesquisador sênior do The Hudson Institute, um centro de estudos conservador em Washington, DC. O culpado, segundo Scracic, é bem conhecido. “Muitos ex-apoiadores estão desanimados com a decisão de Trump de entrar em guerra contra o Irã”, disse ele.
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De fato, os eleitores atribuem à maneira como o presidente lida com o Irã uma nota de 34%. Isso é quase 6 pontos percentuais abaixo de seu índice geral de aprovação. Aliás, quase todos os índices de aprovação de Trump em questões-chave ficam abaixo de sua nota geral de 39,9%, incluindo a política externa em geral (36,6%), sua gestão da economia (34,5%) e a inflação (27,9%).
Em relação à criminalidade e à imigração — temas nos quais o presidente costuma ter melhores resultados — ele também está abaixo da marca, embora bem acima de 40%.
A aparente solução de Trump é lançar uma grande campanha publicitária que coloque ele e seu histórico no segundo mandato em destaque para que os eleitores levem em consideração ao ponderarem qual partido apoiar neste outono — ou, no caso de muitos eleitores apáticos do Partido Republicano, se devem ou não votar.
No entanto, a estratégia do presidente pressupõe que os eleitores estão insatisfeitos apenas — como afirmou recentemente um republicano do Congresso — porque a “mídia de esquerda” os enganou para que acreditassem nisso.
Nesse caso, boa sorte.
Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.
David M. Drucker é colunista especializado em política e políticas públicas. Ele também é redator sênior do The Dispatch e autor do livro “In Trump’s Shadow: The Battle for 2024 and the Future of the GOP”.
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