Com Lemann, Saverin e Telles, Brasil tem 3 bilionários entre os 10 mais ricos de LatAm

Ranking latino-americano destaca empresários ligados à tecnologia, finanças e consumo global, com mexicanos no topo. Patrimônios ligados à AB InBev e à Meta mantêm brasileiros em destaque na lista regional

Por

Bloomberg Línea — As maiores fortunas da América Latina continuaram a crescer ao longo do ano, com poucas exceções, impulsionadas pelo desempenho de setores como mineração, telecomunicações, bancos e energia, em meio às tensões geopolíticas decorrentes da guerra entre os EUA, Israel e o Irã.

O México, o Brasil, a Colômbia e o Chile continuam concentrando os 10 maiores bilionários da América Latina em meados de 2026, refletindo o tamanho de suas economias e sua diversificação.

Além disso, há um elemento comum na região: a presença de conglomerados familiares com décadas de história empresarial. Esses grupos conseguiram diversificar seus negócios, acessar os mercados de capitais e consolidar posições dominantes.

Quando os mercados passam por ciclos favoráveis, esses conglomerados costumam ser os principais beneficiados devido à sua escala e capacidade de execução. A América Latina conta com três milionários na lista dos 50 mais poderosos do mundo.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“A evolução das grandes fortunas latino-americanas ao longo de 2026 deve-se principalmente à valorização de ativos estratégicos em setores como o bancário, de mineração, de telecomunicações, de alimentos e de tecnologia”, afirmou Paula Chaves, analista de mercados da Greyhound Trading, à Bloomberg Línea.

Embora o cenário global tenha sido marcado por episódios de volatilidade e tensões geopolíticas, ele explica que os mercados mantiveram uma tendência favorável, o que impulsionou o valor das empresas mais importantes da região.

No setor de mineração e matérias-primas, a demanda associada à infraestrutura, à transição energética e à inteligência artificial tem favorecido os produtores de cobre, prata e outros recursos estratégicos.

No setor de telecomunicações, o crescimento constante da conectividade e dos serviços digitais continua a sustentar modelos de negócios altamente lucrativos.

Por outro lado, acrescenta ele, o setor bancário e as fintechs continuam se beneficiando dos processos de digitalização e inclusão financeira, que ainda apresentam um enorme potencial de crescimento na América Latina.

“Embora conflitos como o do Irã gerem incerteza e episódios de volatilidade, até o momento eles não foram suficientes para alterar a tendência principal dos mercados financeiros”, disse Paula Chaves. “As bolsas de valores dos Estados Unidos têm mantido um desempenho sólido nos últimos meses, o que permitiu que o fluxo de capital para ativos de risco continuasse.”

Um dos fatores mais importantes tem sido o aumento do interesse pelos mercados emergentes.

Chaves se refere a um macrociclo favorável para economias ligadas a matérias-primas, recursos estratégicos e serviços financeiros, algo que beneficiou diretamente grande parte da América Latina. “Muitas das grandes fortunas da região estão altamente correlacionadas com esse cenário, já que sua riqueza depende da valorização das empresas que atuam nesses setores”.

Mais do que observar um impacto direto da geopolítica sobre esses patrimônios, o que fica evidente é que a valorização dos mercados, o bom desempenho dos ativos emergentes e a demanda global por recursos estratégicos têm atuado como fatores de sustentação.

“Hoje, muitas das grandes fortunas latino-americanas estão mais correlacionadas com o comportamento dos mercados globais e o macrociclo dos mercados emergentes do que com eventos geopolíticos isolados”.

Os mais ricos da região

O magnata mexicano Carlos Slim, proprietário da empresa de telecomunicações América Móvil (AMX) e presidente emérito do Grupo Carso (GCARSOA1), mantém sua posição como a pessoa mais rica da América Latina e do Caribe e ocupa o 16º lugar no ranking mundial.

No final do dia 22 de junho, Slim possuía um patrimônio estimado em US$ 128 bilhões, com um lucro anual de US$ 17,1 bilhões, de acordo com dados atualizados do Bloomberg Billionaires Index.

Slim fundou seu conglomerado de telecomunicações a partir da privatização da Teléfonos de México (Telmex) no início da década de 1990.

Seu ativo mais valioso é sua participação majoritária na América Móvil, seguida por seus investimentos na holding Grupo Carso e na empresa de bancos e seguros Grupo Financiero Inbursa.

A segunda pessoa mais rica da América Latina é Germán Larrea, também mexicano (28º lugar no ranking mundial), com uma fortuna de US$ 75,1 bilhões, após ter acrescentado este ano ao seu patrimônio o equivalente a US$ 15 bilhões.

Larrea acumulou sua fortuna por meio da participação de 60% que sua família detém no conglomerado de mineração Grupo México (GMEXICOB), do qual ele é presidente executivo.

De acordo com a Bloomberg, a divisão de mineração da empresa registrou receita de US$ 16,1 bilhões em 2024, proveniente de suas operações nos Estados Unidos, no México, no Peru e na Espanha.

Além disso, Larrea controla o Grupo Cinemex, uma rede mexicana de cinemas de capital fechado.

A terceira pessoa mais rica da América Latina atualmente é a chilena Iris Fontbona, juntamente com sua família (37ª posição no ranking mundial).

Os milionários chilenos acumularam sua fortuna por meio do poderoso Grupo Luksic, que controla empresas nos setores financeiro, de bebidas, manufatura, energia, transporte e serviços portuários.

Fontbona e sua família possuem uma fortuna de US$ 56,2 bilhões, à qual se somaram, neste ano, cerca de US$ 6,2 bilhões.

O quarto lugar na América Latina é ocupado pelo colombiano Jaime Gilinski (62º lugar no ranking mundial), um dos empresários mais poderosos do país atualmente, com uma fortuna de US$ 36,8 bilhões, que cresceu US$ 11,2 bilhões no ano até aqui.

O banqueiro colombiano rompeu o sistema de participações cruzadas do Grupo Empresarial Antioqueño (GEA), um bloco de empresas que, por 40 anos, manteve participações cruzadas.

O brasileiro Jorge Paulo Lemann (76º lugar no ranking mundial), cofundador da 3G Capital e da AB InBev, ocupa a quinta posição na América Latina.

A maior parte da fortuna de Lemann provém de uma participação de 9% na Anheuser-Busch InBev.

Lemann divide o controle da Anheuser-Busch InBev, a maior cervejaria do mundo, com seus sócios bilionários Marcel Telles e Carlos Sicupira.

A Bloomberg estima que, atualmente, sua fortuna seja de cerca de US$ 31,2 bilhões, com um aumento de US$ 4,01 bilhões neste ano.

Em seguida, vem o brasileiro Eduardo Saverin (79º lugar no ranking mundial), um dos cofundadores do Facebook (atualmente Meta), com um patrimônio de US$ 30,7 bilhões.

Saverin, que em 2022 detinha aproximadamente 2% da maior rede social do mundo, perdeu cerca de US$ 5,1 bilhões de sua fortuna este ano.

Saverin também foi cofundador, em 2015, da B Capital Group, uma empresa de capital de risco.

Na sétima posição estão o colombiano Alejandro Santo Domingo e sua família (130º lugar), com uma fortuna de US$ 20,2 bilhões, o que representou um aumento de US$ 2,79 bilhões no ano até o momento.

Segundo a Bloomberg, a maior parte da fortuna da família Santo Domingo provém de uma participação de 5% na cervejaria Anheuser-Busch InBev.

Na oitava posição está o mexicano Alejandro Baillères (244º lugar global), que preside o Grupo BAL, uma empresa mexicana de investimentos que atua nos setores de mineração, metais, varejo e serviços financeiros.

Sua fortuna é estimada em US$ 13,7 bilhões, com uma queda de US$ 553 milhões no ano.

A maior parte da fortuna de Bailleres é controlada pelo Grupo BAL.

Em seguida vem Marcel Telles (252º no ranking mundial), cofundador da empresa de aquisições 3G Capital e que ajudou a criar a Ambev em 1999, com uma fortuna estimada em US$ 13,5 bilhões, um aumento de US$ 1,94 bilhões.

Em seguida, vem o colombiano David Vélez (na 267ª posição), cofundador do neobanco Nubank (NU) no Brasil, cuja fortuna atualmente é de US$ 12,7 bilhões, após uma redução de US$ 3,7 bilhões ao longo do ano.

Na décima posição da lista de milionários aparece o também colombiano Luis Carlos Sarmiento (278º lugar), fundador do Grupo Aval (AVAL), o maior grupo bancário da Colômbia.

A empresa, com sede em Bogotá, possuía quase US$ 78 bilhões em ativos no final de 2023.

A fortuna de Sarmiento é de cerca de US$ 12,3 bilhões.