Novo presidente do Citi Brasil, André Cury quer aumentar em 50% o negócio de equities

Em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em março, Cury disse à Bloomberg News que a ambição do banco no país é ganhar participação de mercado em corretagem, em banco de investimento e continuar ganhando participação em gestão de caixa

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Bloomberg — André Cury, que assumiu a presidência do Citigroup no Brasil em março, disse que sua meta é aumentar a receita do negócio de ações em 50% nos próximos três anos à medida que os investimentos feitos na expansão da operação começam a dar frutos.

“Nossa ambição é ganhar participação de mercado em corretagem, em banco de investimento e continuar ganhando participação em gestão de caixa”, disse Cury à Bloomberg News em sua primeira entrevista à imprensa desde que assumiu o novo cargo.

O segmento de trading de ações globais do banco historicamente ficou em segundo plano em relação ao câmbio e à negociação de taxas de juros. Mas, após 10 anos de investimentos em tecnologia, infraestrutura e pessoas, a receita dobrou de 2024 para 2026, disse Eduardo Miszputen, responsável por mercados para o Brasil. No Brasil, triplicou desde 2021, disse.

Expandir os negócios de ações do banco tem sido uma meta global de longa data para o Citi, em meio à forte concorrência de seus pares em Wall Street.

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A receita com negociação de ações do banco global aumentou 39% no primeiro trimestre em comparação com o ano anterior, atingindo US$ 2,08 bilhões.

No acumulado do ano passado, subiu 13%, para US$ 5,66 bilhões.

O banco, com sede em Nova York, não divulga a receita do Brasil separadamente.

“O negócio de ações é um segmento no qual temos investido, expandido, atraído talentos ao longo dos anos e contratado pessoas estratégicas que lideram essa área no Brasil”, disse Miszputen.

O banco adicionou dois executivos à equipe de ações neste ano, elevando o total para 24.

As operações do Citigroup envolvendo a maior economia da América Latina têm ganhado importância para o banco, e o país agora ocupa a quinta posição em termos de receita, incluindo transações offshore de empresas brasileiras. A meta é aumentar esse valor em cerca de 10% ao ano, segundo os executivos.

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O negócio de ações inclui a prestação de serviços de corretagem e o acesso de investidores institucionais ao mercado à vista de ações e a derivativos, incluindo swaps, opções, operações estruturadas e financiamentos atrelados a ações, disse Miszputen em entrevista em São Paulo, durante uma conferência sobre ações do Citigroup Brasil, que contou com a presença de cerca de 100 empresas e 400 investidores.

O volume médio diário de negociação de ações na B3 aumentou 40% neste ano até 16 de junho, atingindo R$ 34,2 bilhões, segundo a própria bolsa. Esse aumento foi parcialmente resultado da entrada líquida de investimentos estrangeiros de cerca de R$ 38 bilhões até 15 de junho, disse a B3.

Esse crescimento contribuiu para a expansão da receita do negócio de câmbio do Citi, no qual o banco detém uma participação superior a 15% no mercado à vista brasileiro, e da custódia para investidores estrangeiros no mercado brasileiro, serviço no qual o banco ocupa a primeira posição com uma participação de 65%, disse Cury.

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A empresa possui a segunda maior unidade de um banco estrangeiro no Brasil em ativos, atrás apenas do Banco Santander, da Espanha, segundo o Banco Central.

No mercado de capitais, o Citi participou de duas ofertas públicas iniciais de ações neste ano de empresas brasileiras que abriram capital nos EUA, negócios que romperam um jejum de quatro anos para esse tipo de transação: a fintech PicPay, controlada pela família Batista, e a fintech Agibank. O banco também esteve entre os participantes do IPO da Compass, distribuidora de gás, em maio.

O Citi participou da oferta pública de ações que privatizou a Copasa, empresa de água e saneamento do estado de Minas Gerais, em junho, um negócio totalizando R$ 8,4 bilhões que atraiu demanda de R$ 66 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News na época.

A operação brasileira do Citi pagou à matriz R$ 5 bilhões em dividendos no ano passado, após o lucro saltar 28% em relação a 2024, atingindo o recorde de R$ 2,9 bilhões, disse o ex-presidente do banco no Brasil, Marcelo Marangon, em fevereiro. A forte receita líquida de juros de R$ 7,1 bilhões contribuiu para impulsionar resultados, enquanto a carteira de crédito caiu 5,4%, para R$ 53 bilhões.

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Cury, que anteriormente liderava o banco comercial no Brasil e na América Latina, substituiu Marangon, que foi nomeado co-responsável global de banco corporativo em janeiro.

Marangon liderou o Citi no Brasil por quase nove anos e esteve à frente do banco durante sua expansão na maior economia da América Latina após a venda de sua franquia de varejo local para o Itaú.

Com 2.200 funcionários, o banco agora possui presença em serviços bancários corporativos e de banco de investimento no Brasil e atende clientes pessoa física de alta renda por meio de seus negócios de gestão de patrimônio em Miami, Nova York e Suíça.

Cury disse que o ano começou forte para os mercados emergentes e para o Brasil, “com muitos investidores estrangeiros entrando em nossas contas de custódia”. Mas, em maio e junho, esses fluxos se inverteram devido à guerra no Irã.

“Esse conflito acabou se prolongando mais do que o previsto inicialmente, o que gerou um choque na oferta de petróleo e alterou a percepção de risco”, disse ele.

As taxas de juros no Brasil e nos EUA também foram reduzidas menos do que o esperado em 2026, com investimentos de renda fixa atraindo recursos que, de outra forma, teriam sido investidos em ações. IPOs de grande sucesso, como o da SpaceX, também atraíram investidores do mundo todo, reduzindo a demanda por ações brasileiras.

“Dito isso, tivemos a oferta pública de ações da Copasa e houve um interesse significativo de investidores estrangeiros”, disse Cury. “O IPO da Compass teve quase 50% de participação de estrangeiros. Portanto, os investidores estrangeiros ainda veem o Brasil como uma oportunidade.”

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