Bloomberg — O BNDES aprovou R$ 834 milhões em novos empréstimos, enquanto o governo do país procura aumentar o envolvimento do setor privado na conservação e restauração dos principais ecossistemas do Brasil, incluindo a floresta amazônica.
Os empréstimos apoiarão cinco projetos que, juntos, deverão restaurar mais de 65.600 hectares de terra - uma área aproximadamente do tamanho de Madri -, acrescentar mais de 108 milhões de árvores nativas e gerar cerca de 27.000 empregos, de acordo com o banco.
Anunciado na quarta-feira (10) em um evento em Brasília, o financiamento ressalta como o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está tentando fazer com que a restauração florestal deixe de ser um projeto-piloto e um subsídio para se tornar uma indústria financiável.
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“Esse fundo que estamos anunciando aqui é crédito - não é filantropia, não é doação”, disse Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES. “Essas empresas estão tomando recursos emprestados para investir na restauração de florestas nativas.”
O Fundo Clima do banco de desenvolvimento oferece uma taxa de juros de 1% ao ano. As condições do empréstimo foram projetadas para reduzir uma das principais barreiras à restauração florestal privada: o descompasso entre o financiamento comercial e o longo cronograma de crescimento da floresta.
O banco afirma que os novos empréstimos mobilizarão R$ 2,7 bilhões em investimentos totais, combinando crédito público subsidiado com capital privado de empresas que desenvolvem projetos de restauração, agrossilvicultura, crédito de carbono e silvicultura sustentável.
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Um empréstimo de R$ 116 milhões será destinado a uma startup agroflorestal, a Courageous Land, para um projeto no sul de Roraima, uma parte da Amazônia sob forte pressão da pecuária e do cultivo de soja.
A agrofloresta é um modelo de restauração que busca equilibrar agricultura e conservação. Ele mistura culturas alimentares, árvores frutíferas e espécies nativas na mesma terra, buscando gerar renda e, ao mesmo tempo, reconstruir a cobertura florestal e a saúde do ecossistema. A empresa está nos estágios iniciais da produção de café, açaí e cacau.
“Os termos do empréstimo são taxas de juros muito baixas, bom período de carência e prazos muito longos, compatíveis com a agrofloresta”, disse Philip Kauders, CEO e cofundador da Courageous Land. “E o que é interessante sobre isso é que permite que outros investidores se juntem a esses negócios e os tornem maiores.”
O Timberland Investment Group, do banco de investimentos BTG Pactual, informou que uma de suas empresas recebeu R$ 200 milhões para um projeto que abrange cerca de 49.400 hectares no Cerrado brasileiro.
Outros R$ 87 milhões serão destinados à Biomas, uma empresa de restauração apoiada por grandes bancos e corporações, incluindo o Banco Santander e a gigante da mineração Vale, para um projeto que visa reconectar fragmentos da Mata Atlântica brasileira, que se encontra altamente esgotada.
O financiamento ocorre no momento em que o Brasil tenta cumprir sua promessa de reduzir o desmatamento a zero até 2030 e, ao mesmo tempo, provar que a conservação das florestas pode competir economicamente com a criação de gado e soja em terras desmatadas.
O desmatamento é a maior fonte de emissões de carbono do país, respondendo por cerca de metade do total da nação.
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