Bloomberg Opinion — A Nova Zelândia enviou uma mensagem contundente aos investidores que pensavam poder ser complacentes quanto ao efeito corrosivo da guerra do Irã sobre a economia global. Quando se trata de inflação e juros, até os bancos centrais mais pacientes do mundo estão jogando a toalha.
A nova governadora do Reserve Bank (RBNZ), Anna Breman, havia enfatizado que as autoridades agiriam com calma e não tomariam uma decisão apressada de aumentar os juros.
Esse tom mais brando chegou a um fim abrupto na semana passada, quando o comitê de política monetária chegou a um empate na decisão sobre subir juros imediatamente, um cenário que quase ninguém esperava.
Apenas o voto de minerva “Não” de Breman impediu que um choque mais duro se tornasse um abalo ainda maior. Os mercados subestimaram a mudança de opinião dentro do banco central da Nova Zelândia e sua determinação de impedir que uma inflação mais rápida se consolidasse.
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A Nova Zelândia não está sozinha em abandonar uma postura paciente. A Austrália apertou os juros três vezes este ano — uma vez antes de o conflito no Oriente Médio fazer os custos de energia dispararem. A Indonésia promoveu um aumento robusto dos juros e a Coreia do Sul surpreendeu ao adotar um tom mais duro.
Mas Breman, da Nova Zelândia, se destaca porque havia tentado uma abordagem diferente tanto em relação a outros bancos centrais no mundo quanto de alguns de seus antecessores. Até agora, a mensagem ressaltava a fragilidade da economia, que ainda tenta se recuperar de uma recessão.
Falando a repórteres após a decisão, Breman deixou claro que manter os juros era apenas um adiamento. Altas estão a caminho, provavelmente começando na próxima reunião, marcada para julho.
Em contraste, sua colega no Reserve Bank da Austrália vinha falando duro sobre juros e inflação por meses antes de encerrar um ciclo de afrouxamento no início do ano.
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Antes da mudança do RBNZ, muitos economistas consideravam que os aumentos de juros na Nova Zelândia ainda estavam distantes. A maioria das previsões apontava uma mudança começando em setembro. Suas visões otimistas foram moldadas em parte pelo crescimento fraco: a era pós-covid foi caracterizada por um mercado de trabalho frouxo, consumidores relutantes e uma queda no setor imobiliário.
Mas eles também poderiam alegar com razão terem sido orientados por comunicações falhas do banco central. A mensagem do RBNZ havia sido, até agora, distinta por seu tom brando. Em vez de subir juros cedo e rápido, e então cortá-los rapidamente no caso de uma recessão, Breman preferia proceder de maneira mais comedida. Era possível, disse ela, ignorar desenvolvimentos pontuais.
Essa abordagem ultracautelosa chegou ao fim. Talvez num ambiente global mais benigno sua aposta tivesse dado certo. As previsões mostram a inflação subindo para 4,2% neste trimestre, bem acima do ponto médio da meta de 1-3% do banco central.
As autoridades ainda acham que ela voltará à sua zona de conforto, mas seria muito imprudente apostar que isso aconteça sem alguma dor.
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Horas após a transformação abrupta na postura da Nova Zelândia, o novo governador do Banco Central da Coreia do Sul sinalizou uma resposta enérgica à aceleração do crescimento dos preços.
“Certamente se poderia ter feito um argumento convincente até mesmo para subir os juros nesta reunião”, disse Shin Hyun Song a repórteres após comandar sua primeira reunião.
Dois dos sete membros do comitê de política monetária, incluindo — de forma incomum — o vice-governador sênior, queriam ação imediata.
Números divulgados na terça-feira mostraram que a inflação sul-coreana subiu para 3,1% em maio, superando as previsões e mais de um ponto percentual acima da meta do banco.
Operadores apostam em pelo menos quatro altas de um quarto de ponto ao longo do próximo ano. Seria surpreendente se um aperto não ocorresse em julho.
Os juros já subiram na Austrália, na Indonésia e nas Filipinas. Os dois últimos não combatem apenas a inflação; também correm para sustentar suas moedas, que registraram alguns dos maiores recuos contra o dólar desde o início do conflito no Oriente Médio.
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O longo período favorável está chegando ao fim para os bancos centrais. O período entre a derrota da inflação do início dos anos 1980 e a pandemia de covid-19 foi raro. Foi abençoado com aumentos de preços de forma amena e, exceto pela crise financeira de 2008, taxas geralmente respeitáveis de crescimento nas principais economias.
Isso permitiu aos formuladores de política monetária ajustar finamente o emprego sem se preocupar muito com avanços de preços saindo do controle.
“Os tempos mudaram porque as condições favoráveis da Grande Moderação se esgotaram”, disse Catherine Mann, formuladora de política monetária no Banco da Inglaterra e ex-economista-chefe da OCDE, num evento no fim de semana.
As autoridades não vão ignorar o crescimento. Quando questionadas sobre o que vem primeiro, combater os preços ou fomentar a expansão, elas tenderam a enfatizar a inflação. Controlá-la é a melhor forma de incentivar contratações, fazer os consumidores gastarem livremente e manter as fábricas funcionando.
Os bancos centrais têm muito trabalho pela frente e agora devem novamente provar seu valor.
Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.
Daniel Moss é colunista da Bloomberg Opinion e cobre economias asiáticas. Anteriormente, foi editor executivo de economia da Bloomberg News.
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