IA que trabalha para a PME: a aposta da Sólides para transformar a gestão de pessoas

HR Tech aposta em inteligência artificial para reduzir rotatividade, organizar processos e transformar o RH em área estratégica nas pequenas e médias empresas brasileiras

O Brasil bateu recorde na abertura de empresas em 2025. Foram 5,1 milhões de novos negócios e mais de 96% deles são micro, pequenas e médias empresas. Dados como esse corroboram a tese de que a próxima onda de crescimento do país passa pelas PMEs. E para os fundadores da HR Tech Sólides, a inteligência artificial será o grande propulsor do crescimento desses negócios nos próximos anos.

“A beleza dessa revolução digital que a gente está vivendo agora em relação às outras é o custo de aquisição de tecnologia”, disse Mônica Hauck, cofundadora e CEO da Sólides, durante o Fórum The AI Economy Brazil. “Se você pensar, a primeira máquina da Revolução Industrial era caríssima e poucas pessoas tinham acesso. Agora, o meu cliente que tem uma peixaria lá no Amazonas pode ter acesso a uma tecnologia de ponta, assim como a maior empresa do Brasil.”

Mas chegar até esse pescador do Amazonas e mostrar a ele a relevância da IA para o seu negócio exige muito mais do que uma boa tecnologia. Exige educação e uma escuta sobre a necessidade e os desafios de cada empreendedor, um trabalho que a Sólides vem realizando há anos no mercado.

IA como camada de gestão, não como funcionalidade

A Sólides é hoje a principal tecnologia para Gestão de Pessoas em pequenas e médias empresas no Brasil, atendendo mais de 45 mil clientes. Sua tese é a de que a IA deve fazer parte de todo o processo de gestão de pessoas na PME, do recrutamento à retenção do colaborador. E, quando bem aplicada, ela organiza processos, reduz desperdícios, melhora decisões e devolve tempo para que pequenas e médias empresas cresçam com mais eficiência.

Essa leitura acompanha a própria trajetória da companhia. Segundo Alessandro Garcia, cofundador e co-CEO da Sólides, a empresa nasceu com um modelo preditivo comportamental e, desde o início, incorporou inteligência à proposta de valor do negócio. “Desde o início, a gente coloca IA, não como um botão dentro da plataforma, não como um um recurso adicional, mas como uma estratégia de produto”, resumiu durante o evento.

O resultado prático dessa aposta está nos números: clientes da Sólides registram, em média, redução de 43% na rotatividade de funcionários, o que se traduz em um retorno sobre o investimento de 15 vezes em relação ao valor pago pela plataforma.

Para colocar em perspectiva, Garcia ressalta que uma contratação errada custa em média R$ 25 mil a uma pequena empresa, considerando rescisão, nova seleção e o tempo perdido de produtividade. O sistema da Sólides, conhecido por oferecer uma tecnologia que une RH e Departamento Pessoal em uma mesma plataforma, custa menos do que isso.

“Na prática, o RH não precisa ter orçamento para contratar a ferramenta. A gente vai gerar esse orçamento para a empresa”, disse Garcia. A ferramenta da Sólides funciona de forma 100% online e em nuvem, permitindo centralizar dados, automatizar cálculos e integrar diferentes processos do Departamento Pessoal..

O problema que ninguém vê. Até fechar as portas

No ano passado, as empresas brasileiras gastaram mais de R$ 50 bilhões em ações trabalhistas, um recorde histórico. Esse cenário muitas vezes é tratado por empreendedores como parte inevitável da operação. Mas para Mônica Hauck, trata-se de uma distorção.

“Isso é uma anomalia. E como você corrige essa anomalia? Com gestão de pessoas”, afirmou a executiva. “Diariamente, empresas no Brasil estão fechando as portas por falta de gestão de pessoas. Mas isso não está claro para elas”.

A co-fundadora da Sólides destacou que o RH, historicamente, é tratado como um grande centro de custos nas empresas, trabalhando na reposição de cadeiras vazias, festas de aniversário e em burocracias. Na visão de Hauck, o RH é na verdade um centro de lucro negligenciado pelos negócios.

“Gestão de pessoas tem impacto direto em lucro, produtividade e até na sobrevivência da empresa”, afirma. Ao trazer dados, previsibilidade e automação para esse processo, a IA transforma o RH em uma área estratégica e capaz de evitar perdas, aumentar eficiência e sustentar o crescimento.

Democratizar é mais do que baratear

Um dos pilares da Sólides é o da democratização da tecnologia. Mas, segundo seus fundadores, isso não significa simplesmente torná-la barata. Significa também entender profundamente em que estágio de maturidade o cliente está e educá-lo para usar a IA.

“Muitas vezes a tecnologia não é prioridade para o empreendedor. Ele está ocupado demais tentando sobreviver e é por isso que a gente precisa ir além do produto”, diz Hauck.

Para a executiva, democratizar tecnologia envolve três dimensões: acessibilidade, simplicidade e educação. Isso inclui entender o momento do cliente, reduzir resistências e apoiar a implementação.

A próxima fronteira: tecnologia que trabalha para você

Se até hoje o padrão era o usuário trabalhar para o software, alimentando cadastros, lançando dados e gerando relatórios, Alessandro Garcia enxerga uma virada estrutural em curso com a inteligência artificial: a tecnologia que trabalha para você.

“Existe uma oportunidade enorme da gente resolver coisas que antes eram inviáveis, seja por complexidade ou por custo. E a gente abre uma porta para conseguir resolver as coisas, potencializar as pessoas a fazerem muito mais com muito menos tempo e com muito menos esforço”, disse.

É exatamente aí que Mônica Hauck vê a maior oportunidade para as PMEs encolherem a lacuna histórica de produtividade que as separa das grandes. “Um dos fatores que contribui para esse gap é a baixa maturidade de gestão e a baixa maturidade de automação e uso de tecnologia. Então, com a IA a gente vai aumentar a maturidade de gestão dessas empresas e colocar tecnologia para que elas consigam aumentar de forma substancial a produtividade”, afirmou.