Brasil lidera crescimento do tráfego aéreo na América Latina em março, diz associação

Região registrou aumento no tráfego aéreo total, o que equivale a 2,45 milhões de passageiros a mais em março; guerra do Irã, no entanto, pressiona os custos das companhias aéreas e das passagens

Por

Bloomberg Línea — O tráfego aéreo total de passageiros na América Latina e no Caribe atingiu 43,1 milhões em março, crescimento de 6% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo relatório da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta).

Apesar dos desafios globais do setor, a região registrou um aumento de 2,45 milhões de passageiros adicionais no tráfego total — de, para e dentro da América Latina.

“O crescimento foi similar ao observado em fevereiro. A oferta total de voos aumentou 4,4% em termos anuais, enquanto a capacidade medida em assentos cresceu 4,5%”, diz a Alta em comunicado.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o tráfego totalizou 127,6 milhões de passageiros, alta de 6,3%.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A Alta indica que o crescimento do tráfego aéreo em março foi impulsionado principalmente por Brasil, Colômbia, República Dominicana e Panamá, que juntos responderam por mais de 70% do aumento líquido de passageiros na região.

Leia também: Terminal BTG Pactual, em Guarulhos, amplia capacidade com aposta na altíssima renda

Brasil lidera o crescimento regional

O Brasil foi o principal contribuinte para o crescimento regional, com 852.000 passageiros adicionais em março — alta de 8,3% na comparação anual —, totalizando 11,1 milhões de passageiros.

“O mercado doméstico acumulou 19 meses consecutivos de crescimento”, destacou a Alta. “No segmento internacional, o tráfego cresceu 9,8% e soma 60 meses consecutivos de expansão, atingindo 2,6 milhões de passageiros — o maior volume registrado para um mês de março.”

A Colômbia foi o segundo mercado em contribuição ao crescimento, com 510.000 passageiros adicionais em março, alta de 9,9% e total de 4,98 milhões de passageiros. O crescimento se distribuiu de forma equilibrada entre o mercado doméstico (+9,5%) e o internacional (+10,6%).

Leia também: JHSF compra operadora de aviação executiva em Miami e avança no ‘triângulo do luxo’

A República Dominicana ficou em terceiro, com 2,1 milhões de passageiros em março e crescimento de 13,4% na comparação anual. O tráfego com os Estados Unidos — que concentra 50% do tráfego internacional do país — cresceu 9,9%, enquanto o mercado com o Canadá, que representa 20%, avançou 17,4%.

O Panamá registrou 1,9 milhão de passageiros e o maior crescimento percentual entre os principais mercados da região em março, com alta de 14,1% — pelo segundo mês consecutivo liderando o crescimento. O tráfego com os Estados Unidos, seu principal mercado, cresceu 8,7%. Em março, os voos de e para o Panamá conectaram o país a 36 nações por meio de 108 pares de aeroportos. A rota Bogotá-Panamá foi a de maior volume, com 856 voos operados, 9,8% a mais do que em março de 2025.

Países com maior crescimento de passageiros no setor aéreo em março de 2026

  • Brasil: 852.000 passageiros adicionais (+8,3% interanual), total de 11,1 milhões
  • Colômbia: 451.000 passageiros adicionais (+9,9% interanual), total de 4,98 milhões
  • República Dominicana: ~249.000 passageiros adicionais (+13,4% interanual), total de 2,1 milhões
  • Panamá: ~235.000 passageiros adicionais (+14,1% interanual), total de 1,9 milhão

Mercado resiliente

Os dados de março confirmam “que a região cresce de dentro para fora: 8 em cada 10 passageiros adicionais do trimestre voaram dentro da América Latina e do Caribe, com mercados como Argentina-Brasil crescendo 29,8%”, disse Peter Cerdá, CEO da Alta.

Leia também: De Delta a United, aéreas cortam voos e reduzem frotas com disparada do combustível

Para ele, sustentar esse dinamismo “exige evitar medidas que encareçam ainda mais voar, para preservar a conectividade que impulsiona o desenvolvimento regional” — num contexto em que o conflito no Irã e as restrições no Estreito de Ormuz pressionam os preços do combustível.

Na semana encerrada em 1º de maio, o preço médio do querosene de aviação na América Latina e no Caribe chegou a US$ 4,36 por galão, quase o dobro da média registrada em 2025.

O crescimento intrarregional veio acompanhado de maior conectividade, com expansão de 10,7% na comparação anual. Em março de 2026, 13 novas rotas passaram a operar de, para e dentro da América Latina e do Caribe.

No mês, o mercado doméstico representou 54,5% do tráfego aéreo total, e o internacional, 45,5%. O tráfego extrarregional cresceu apenas 0,8%, num mês em que o fluxo entre a América Latina e os Estados Unidos recuou 2,8% — após dois meses de crescimento —, puxado principalmente pela contração do mercado México-EUA (-11,6%). O fluxo de passageiros entre os Estados Unidos e Cancún caiu 11,5%, e entre os Estados Unidos e Los Cabos, 9,2%.

Leia também

Embraer fortalece carteira de pedidos com nova geração de aeronaves, dizem analistas

Azul sai fortalecida da reestruturação, segundo o CEO. ‘Temos custo um terço menor’