BTG Pactual Chile e SURA fazem captações para fundos de crédito privado chilenos

Gestora do BTG no Chile e a SURA buscam captar até US$ 200 milhões em veículos separados; mercado de crédito privado no Chile vê demanda renovada

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Bloomberg — A SURA Investments e o BTG Pactual Chile lançaram novos fundos de crédito privado no Chile, expandindo em uma indústria que acendeu sinal de alerta nos Estados Unidos após anos de crescimento extraordinário.

As duas gestoras de ativos buscam captar, ao todo, até US$ 200 milhões em veículos separados, destacando retornos atrativos e baixa volatilidade. O fundo da SURA permite que até 30% dos ativos sejam alocados no exterior.

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O mercado de crédito privado no Chile vê demanda renovada, mesmo com investidores nos EUA retirando recursos por preocupações com exposição a uma desaceleração na indústria de software em meio ao avanço da inteligência artificial.

A Blue Owl Capital se tornou na quinta-feira a mais recente a limitar resgates de dois de seus fundos de crédito privado após enfrentar uma onda de pedidos de saque sem precedentes entre principais empresas de um mercado de US$ 1,8 trilhão.

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Enquanto isso, no Chile, a indústria está sendo “impulsionada pela demanda dos clientes”, disse José Miguel Correa, chefe de ativos alternativos da gestora do BTG Pactual Chile.

“Nossos clientes têm um apetite por risco um pouco maior. Eles estão dispostos a assumir um pouco de iliquidez em seus investimentos para obter um retorno um pouco maior.”

A SURA espera que seu fundo renda cerca de 8% ao ano, enquanto o BTG projeta número ligeiramente superior. Isso se compara ao yield dos títulos em peso com vencimento em cinco anos, de 5,3%, enquanto os papéis de dois anos estão sendo negociados a 4,6%.

Os fundos de dívida chilenos administravam US$ 6,5 bilhões até o terceiro trimestre de 2025, acima dos US$ 6,1 bilhões no fim do ano passado, segundo dados da Associação Chilena de Administradoras de Fundos de Investimento (Acafi).

Êxodo nos EUA

A indústria nos EUA viu investidores se apressarem para retirar dinheiro nos últimos meses por preocupações com a qualidade dos empréstimos e a exposição a empresas de software.

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Nas últimas semanas, fundos administrados por empresas como Apollo Global Management, BlackRock e Ares Management enfrentaram pedidos de resgate — e, em muitos casos, exerceram seu direito de impedir que os investidores retirassem todo o seu dinheiro. Agora a Blue Owl fez o mesmo.

Mas é diferente no Chile, e em toda a América Latina, onde o crédito privado continua pequeno — cerca de US$ 16 bilhões — e é visto como mais conservador em suas práticas de concessão de empréstimos.

As empresas que recebem financiamento tendem a ter menor alavancagem, covenants mais fortes e padrões mais rigorosos de concessão.

“O que você tem no Chile são basicamente empréstimos para instituições financeiras não bancárias ou diretamente para empresas em setores como agricultura, consumo básico e consumo discricionário”, disse Daniel Soto, chefe de dívida privada da SURA Investments. “Elas são muito menos sofisticadas” do que algumas das empresas de software financiadas nos EUA.

Os fundos latino-americanos também são mais voltados a investidores institucionais e family offices, incluindo os novos veículos da SURA e do BTG, ao contrário dos fundos dos EUA que enfrentam resgates e têm maior exposição ao varejo.

Espaço para crescer

A América Latina atraiu US$ 4,8 bilhões em novos investimentos em crédito privado no ano passado, segundo dados da Lavca, liderada por Argentina e México e com atividade concentrada em direct lending (forma de empréstimo concedido por um intermediário não bancário) e dívida de infraestrutura.

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“Onde vejo muito mais dinamismo é no espaço de direct lending”, disse Emanuel Hernandez, chefe de pesquisa da Lavca. “Também há muito crescimento no segmento de special situations e distress, e o principal motor disso tem sido o Brasil.”

O Chile também tem espaço para expandir. Embora os ativos ainda estejam abaixo do pico de US$ 6,7 bilhões visto em 2023, eles dispararam em relação aos US$ 2,7 bilhões de 2018. De fato, os fundos locais de dívida privada cresceram quase 11 vezes na última década.

O fundo da SURA terá como alvo áreas incluindo direct lending, leasing e financiamento de faturas. O BTG focará em direct lending para empresas estáveis, e não em empresas em dificuldade financeira.

Oportunidades estão surgindo em setores como imóveis, que está se recuperando após uma desaceleração e volta a ver demanda por financiamento de projetos. O crédito ligado à habitação foi o segundo segmento de crescimento mais rápido no ano passado, avançando 13% desde o fim de 2024 para US$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre de 2025.

“É um setor que já atingiu o fundo do poço e agora passa por uma recuperação clara”, disse Soto.

A mineração também pode se tornar um novo motor de demanda, à medida que prestadores de serviço buscam financiamento mais rápido para aproveitar uma alta nos projetos.

“Haverá várias oportunidades nos próximos anos para financiar fornecedores de serviços ou produtos para a indústria de mineração”, disse Correa.

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