Bloomberg — O BNP Paribas, que abriu um escritório em Miami no fim de 2023, decidiu ampliar a equipe e discute internamente a adição de novas linhas de negócios, à medida que sua aposta em atender a comunidade de hedge funds e outros investidores institucionais localmente começa a dar retorno.
Após iniciar as operações com apenas três funcionários, o BNP agora conta com 21 pessoas trabalhando em seu escritório no 801 Brickell Ave., no distrito financeiro da cidade, com uma equipe completa de vendas institucionais em mercados globais, segundo Matt O’Connor, chefe da unidade de Miami.
A receita cresceu 47% no ano passado, disse ele em entrevista à Bloomberg News, e novos profissionais serão contratados ao longo de 2026. Miami já é o maior escritório de mercados globais do banco francês nos Estados Unidos depois de Nova York.
“Os clientes realmente valorizam ter alguém local em Miami ao lado deles”, afirmou O’Connor. “Eles buscam ativamente formas de recompensar essa decisão, o que é uma das razões pelas quais tivemos tanto sucesso.”
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Embora o ritmo de migração de empresas e bilionários para o sul da Flórida tenha diminuído desde a pandemia, a região de Miami vem amadurecendo como polo financeiro, combinando gestão de patrimônio, hedge funds, gestoras de ativos, empresas de tecnologia e bancos globais.
O BNP afirma ser o “único negócio de mercados globais full service em Miami” e destaca que sua equipe local mantém vínculos estreitos com clientes por meio de escolas, clubes e outras atividades sociais, segundo O’Connor.
“Temos muito mais pontos de contato do que simplesmente enviar alguém uma ou duas vezes por ano”, disse.
Embora a base de clientes seja dominada por hedge funds, o BNP vem ampliando negócios com bancos latino-americanos que atendem clientes offshore a partir de Miami e observa um número crescente de gestoras de recursos se estabelecendo no sul da Flórida.
O escritório atua principalmente em duas linhas: renda fixa, moedas e commodities (FICC, na sigla em inglês) e ações.
Recentemente, o BNP contratou Libby Jandl Ardeljan, que estava no Royal Bank of Canada, em Nova York, como diretora de vendas de derivativos de ações para o escritório de Miami.
Segundo O’Connor, a instituição também tem encontrado um bom pool de talentos nas universidades locais para posições juniores.
“A comunidade está claramente crescendo”, disse Annabella Espina, diretora de operações do escritório de Miami.
Embora os cruzeiros ainda dominem o cenário corporativo local, algumas empresas de tecnologia estão se mudando para a cidade — incluindo a Palantir, que anunciou nesta semana a transferência de sua sede de Denver — e a Flórida deveria buscar atrair também companhias industriais, afirmou O’Connor. Atender clientes corporativos é uma das áreas em que o BNP pode expandir nos próximos anos, acrescentou.
Para que Miami supere Chicago e se mantenha à frente de Dallas como o maior centro financeiro dos EUA depois de Nova York, será necessário continuar desenvolvendo transporte público e outras infraestruturas para sustentar o crescimento, disse O’Connor.
Espremida entre os pântanos da região e o Oceano Atlântico, Miami só pode crescer verticalmente, ao contrário de concorrentes no Meio-Oeste e no Texas, que ainda têm espaço para expansão suburbana.
“O objetivo para Miami, ao menos no horizonte de médio prazo, é se tornar o segundo maior centro financeiro dos Estados Unidos”, afirmou O’Connor. “O desafio para a cidade realmente se resume a infraestrutura, moradia e disponibilidade de opções de escolas.”
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