Bloomberg — O Patria prepara um novo fundo de crédito privado com foco na América Latina, na mais recente iniciativa para ampliar a presença desse mercado na região, segundo um comunicado ao qual a Bloomberg News teve acesso.
O fundo da gestora de ativos alternativos poderá captar mais de US$ 500 milhões, disse uma pessoa familiarizada com a iniciativa. A Pátria se recusou a comentar o valor.
O plano surge em meio a uma onda recorde de operações de crédito privado em mercados emergentes, sinalizando os primeiros sinais de expansão fora das regiões mais tradicionais da indústria, que soma cerca de US$ 1,7 trilhão.
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Até agora, o mercado de rápido crescimento tem se concentrado majoritariamente nos Estados Unidos e na Europa, que absorvem cerca de 85% do capital alocado globalmente, segundo um white paper da Patria ao qual a Bloomberg News teve acesso.
O crédito privado na América Latina ainda é incipiente, representando menos de 1% do mercado regional de crédito corporativo, estimado em cerca de US$ 2,3 trilhões.
Isso ocorre, em parte, porque investidores institucionais — incluindo seguradoras e fundos de pensão — ainda não direcionaram alocações relevantes para gestoras de crédito privado na região, de acordo com o documento.
Gestoras de crédito privado que emprestam a empresas latino-americanas enfrentam menor concorrência e podem negociar condições mais favoráveis, manter spreads mais amplos e garantir proteções estruturais robustas, segundo o white paper.
Em mercados de crédito privado mais maduros, os termos dos empréstimos foram pressionados pela concorrência acirrada.
O novo fundo do Patria deve ter foco em empréstimos corporativos seniores com garantias e em estruturas lastreadas em ativos.
A iniciativa ocorre após a empresa captar US$ 314 milhões em maio de 2025 para sua estratégia inaugural de crédito privado, segundo o comunicado.
O Patria administra mais de US$ 50 bilhões em ativos, de acordo com seu site. A gestora também avalia novas oportunidades de negócios em ativos de infraestrutura na América Latina, além de planejar a abertura de um escritório no Peru para ampliar sua presença regional.
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