Santander compra banco Webster por US$ 12,2 bilhões e reforça presença nos EUA

Negócio é um dos maiores já realizados por um banco europeu no mercado norte-americano; Webster tem mais de US$ 80 bilhões em ativos e uma presença relevante na cidade de Nova York e nos estados de Massachusetts e Connecticut

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Bloomberg — O Santander concordou em adquirir o Webster Financial por US$ 12 bilhões em um dos maiores negócios já realizados nos Estados Unidos por um banco europeu.

A instituição financeira espanhola pagará um valor total de US$ 75 por ação em dinheiro e ações pelo banco Webster, de acordo com um comunicado na terça-feira (3) que confirmou uma reportagem da Bloomberg News.

As ações do Webster subiram cerca de 11% nas negociações de Nova York nos últimos 12 meses, antes da suspensão das negociações na terça-feira, dando à empresa um valor de mercado de cerca de US$ 10,6 bilhões.

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A aquisição destaca o crescente apetite da presidente executiva do Santander, Ana Botín, por fusões e aquisições.

Botín, que está em seu cargo há mais de 11 anos, há muito tempo tem se concentrado em fortalecer a posição de capital do Santander, evitando grandes transações. Mas o preço das ações do banco espanhol mais do que dobrou no ano passado, o que facilitou a realização de negócios.

Além disso, a recente venda de 7 bilhões de euros de uma participação de 49% em sua unidade polonesa para o Erste Group Bank, da Áustria, significa que o Santander tem dinheiro para gastar.

A empresa deverá usar parte dos recursos para pagar o banco britânico TSB, que o Santander concordou em comprar do Banco Sabadell em julho.

O Santander se prepara para realizar um Investor Day em 25 de fevereiro para apresentar novas metas financeiras.

Nesta terça-feira (3), a empresa divulgou um lucro líquido de 3,76 bilhões de euros para os três meses até dezembro, que superou a estimativa de 3,48 bilhões de euros dos analistas, segundo dados compilados pela Bloomberg. O banco também anunciou uma recompra de 5 bilhões de euros.

Com o acordo, o Santander obtém uma presença importante no nordeste dos Estados Unidos, dada a atuação do Webster na cidade de Nova York e nos estados de Massachusetts e Connecticut, onde está sediado.

O banco tem quase 200 agências e mais de US$ 80 bilhões em ativos, de acordo com uma visão geral da empresa no quarto trimestre.

O Webster também tem operações de banco comercial, incluindo empréstimos, financiamento de propriedades comerciais, mercados de capital e gestão de tesouraria. A empresa também oferece serviços financeiros de saúde, como a administração de contas de poupança de saúde, segundo seu website.

O maior banco da Espanha tem buscado crescer nos Estados Unidos há vários anos. Ele vem aumentando o número de funcionários, inclusive em sua divisão de banco de investimentos, e lançando uma nova oferta de varejo digital. Há muito tempo, o banco tem um grande negócio de financiamento de automóveis no país.

Nos últimos meses, tem havido uma enxurrada de negociações entre os bancos menores dos Estados Unidos em meio a um ambiente regulatório mais favorável sob o comando do presidente Donald Trump.

No início deste ano, o U.S. Bancorp, o maior banco regional do país, fechou um acordo para comprar a corretora BTIG por até US$ 1 bilhão. Em 2025, o Huntington Bancshares concordou em comprar o Cadence Bank por US$ 7,4 bilhões.

Em 2021, quando os bancos regionais também iniciaram algumas atividades de negociação, o Webster estava entre os compradores, concordando em comprar o Sterling Bancorp em uma transação que avaliou a meta em US$ 5,14 bilhões.

Alguns bancos europeus têm se esforçado para se firmar em certas partes do mercado dos Estados Unidos.

Em 2020, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) concordou em vender suas operações bancárias nos Estados Unidos e, um ano depois, o BNP Paribas fechou um acordo para vender sua unidade Bank of the West, ajudando-o a sair do mercado de varejo dos Estados Unidos.

-- Com a colaboração de Yizhu Wang.

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