Sell America: Ray Dalio vê diversificação contínua e generalizada em relação aos ativos dos EUA

Em entrevista à Bloomberg TV, em Davos, fundador da Bridgewater, avalia que o movimento tem sido impulsionado por investidores e bancos centrais

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Bloomberg — Um movimento contínuo e generalizado de diversificação tem levado investidores para fora de ativos dos Estados Unidos, especialmente por parte de bancos centrais ao redor do mundo, segundo Ray Dalio, fundador da gestora de hedge funds Bridgewater Associates.

“Quando você observa o ouro subir 67%, não é um metal precioso que simplesmente se valoriza 60%”, disse Dalio à Francine Lacqua, da Bloomberg Television, em Davos, na quinta-feira (22).

“Ele foi comprado sobretudo por bancos centrais, mas também por outros investidores, como forma de diversificar moedas fiduciárias, e não apenas o dólar.”

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Ao comentar as tensões globais, Dalio afirmou que muita atenção tem sido dada à guerra comercial, mas muito pouca ao que ele chamou de “guerra de capitais” e a como ela afeta os mercados.

Referindo-se ao fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter descartado o uso de força militar em sua tentativa de adquirir o território dinamarquês da Groenlândia, Dalio disse que o discurso “foi muito importante, porque existe um limite, uma linha vermelha”.

“Se houver um movimento militar, isso tem implicações de guerra de capitais”, acrescentou.

O tema da diversificação para longe de ativos americanos vem ganhando força após tensões transatlânticas e a perspectiva de uma fragmentação da Otan, à medida que Trump intensificou a ameaça de assumir o controle da Groenlândia.

O fundo de pensão dinamarquês AkademikerPension afirmou que planeja sair dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos até o fim do mês, citando riscos de crédito grandes demais para serem ignorados.

Já o presidente-executivo do UBS, Sergio Ermotti, alertou que a tentação de instrumentalizar posições em dívida do governo americano é uma “aposta perigosa”.

Dalio, bilionário de 76 anos, fundou a Bridgewater em 1975. No ano passado, ele deixou completamente a gestora, vendendo sua participação remanescente e deixando o conselho de administração. A empresa está em modo de reestruturação desde que Nir Bar Dea se tornou o único presidente-executivo, em 2023.

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