Inflação persistente que afeta EUA é risco real à Europa, alertam analistas

Início aguardado do movimento de corte de juro nesta quinta-feira pelo BCE pode ter vida curta caso as pressões se mostrem tão duradouras como as que se apresentaram ao Fed

Estátua com o símbolo do euro na entrada do prédio do Banco Central Europeu em Frankfurt, na Alemanha (Foto: Alex Kraus/Bloomberg)
Por Mark Schroers
05 de Junho, 2024 | 02:03 PM

Bloomberg — A aceleração da inflação na zona do euro é cada vez mais comparada à dos Estados Unidos e gera receios de que o Banco Central Europeu (BCE) possa enfrentar obstáculos semelhantes aos do Federal Reserve para reduzir os juros.

Embora haja diferenças claras nos drivers de alta dos preços, um ponto que os dirigentes ​​do BCE têm destacado, alguns economistas veem paralelos importantes e alertam que o risco de pressões mais persistentes não deve ser subestimado.

Leia mais: Inflação pode levar 3 anos para cair a 2% nos EUA, indica modelo do Fed de Cleveland

O corte amplamente sinalizado para a reunião desta quinta-feira (6) é dado como certo, mas o receio é que uma inflação persistente como a dos EUA torne ​​movimentos subsequentes rápidos menos prováveis.

PUBLICIDADE

O Fed já teve que repensar a flexibilização monetária depois que a alta de preços superou as expectativas nos últimos meses, embora o mercado ainda tenha esperanças de que haverá um corte neste ano.

Trajetória da inflação na zona do euro aparenta estar alguns meses à frente da vista nos EUAdfd

“Os problemas dos EUA com inflação persistente ainda podem desembocar na Europa”, disse Carsten Brzeski, chefe global de pesquisa macro do ING. “Seria aconselhável que o BCE não descartasse categoricamente o risco de um repique inflacionário como o que foi visto nos EUA e permanecesse cauteloso.”

O dado de inflação de maio para os 20 países da zona do euro foi o mais recente sinal de alerta para o BCE, com uma aceleração da taxa anual para 2,6%. Ainda mais preocupante foi o aumento dos preços de serviços e o fortalecimento inesperado das pressões subjacentes.

Andrzej Szczepaniak, economista do Nomura, citou uma expansão mais forte do que o esperado no PIB e a perspectiva de uma recuperação liderada pelo consumidor, sustentada por um nível de desemprego em mínima histórica que leva a uma alta dos salários. A demanda robusta também permite que as empresas repassem custos mais elevados aos consumidores.

Aumento de salários nos países da zona do euro se acelera nos últimos mesesdfd

Konstantin Veit, gestor da Pimco, descreve a inflação como “altamente correlacionada” globalmente. “Portanto, se os EUA acabarem tendo um problema maior, é improvável que a zona euro não tenha pelo menos um pequeno problema.”

Veja mais em bloomberg.com

©2024 Bloomberg L.P.