Bloomberg Opinion — Se você planeja fazer uma resolução de Ano Novo, bem-vindo ao clube. As pesquisas sugerem que cerca de um terço dos americanos traçam uma ou mais metas para o ano novo. O problema é que apenas cerca de um em cada 10 consegue cumpri-las.
Como você pode fazer uma resolução que será mantida?
A primeira etapa é aplicar um princípio básico da economia: você deve fazer as coisas somente quando os benefícios excederem os custos.
Isso pode parecer óbvio, mas o truque está no pensamento sistemático que garante que você siga esse conselho óbvio. Isso significa dividir metas maiores e mais gerais em metas menores e mais concretas. Em vez de decidir “exercitar-se mais”, por exemplo, pergunte a si mesmo o quanto você se beneficiaria se passasse mais 15 minutos por semana se exercitando.
A resposta dependerá de quanto tempo você já gasta se exercitando, o que você faria com esses 15 minutos se não os usasse para se exercitar e uma série de outros benefícios e custos que são exclusivos para você.
O truque – mais uma vez para usar um termo da economia – é avaliar os benefícios e os custos marginais em vez dos benefícios e custos totais. Dividir as metas em pequenas partes nos ajuda a ver os efeitos de uma mudança incremental (ou marginal). Se os benefícios forem altos, e os custos, baixos, então tome essa decisão! Em seguida, considere adicionar mais 15 minutos por semana, e assim por diante.
Mesmo que uma mudança grande e abrangente seja o que você acha que quer, metas concretas são mais fáceis de alcançar. “Exercitar-se por pelo menos 15 minutos três vezes por semana” pode não parecer ambicioso, mas é uma meta mais inteligente do que “exercitar-se mais”.
Os economistas analisam de forma incremental e iterativa por outro motivo: os custos tendem a aumentar, e os benefícios, a diminuir à medida que você faz algo mais vezes. Ao desacelerar e analisar os benefícios e os custos de cada mudança menor, você poderá identificar melhor quais metas seriam realmente benéficas e quais poderiam ser boas na teoria, mas ruins na prática para sua vida.
E o que significa ser “ruim na prática”? Metas cujos benefícios são menores que seus custos. O objetivo principal de uma resolução de Ano Novo é melhorar sua vida. Além disso, metas cujos benefícios mal superam os custos podem ser particularmente difíceis de serem cumpridas.
Para ajudar a medir os custos, considere o que você poderia fazer com seu dinheiro, tempo ou energia. Isso é chamado de custo de oportunidade e é o custo mais importante de tudo o que fazemos. Tudo tem um custo de oportunidade, e identificar exatamente qual é o próximo melhor uso de seu tempo, energia ou dinheiro é a chave para descobrir se qualquer decisão o deixará em melhor situação.
Portanto, se você está pensando em se exercitar 15 minutos a mais por semana, foque no que terá de cortar para fazer isso. Dormir? Trabalhar? Passar tempo com amigos ou familiares? Haverá outros custos de tempo, como o deslocamento para uma academia, transformando 15 minutos de exercício em um compromisso de 30 minutos?
Quanto menos você valorizar o tempo do qual está abrindo mão, menores serão seus custos. Os custos de oportunidade também são a razão pela qual os economistas procuram maneiras de minimizar os custos de tempo combinando atividades – fazer uma caminhada com os amigos, por exemplo, ou ouvir um audiolivro enquanto estiver na esteira. Essas combinações de redução de custos podem facilitar o cumprimento de uma meta.
Também pode haver custos financeiros associados à sua meta, como uma assinatura de academia ou novos equipamentos esportivos. A mesma ideia de considerar o melhor uso possível de recursos funciona. O que você poderia fazer com o dinheiro em vez disso? Identificar exatamente do que você precisa abrir mão é a maneira de identificar os custos de qualquer resolução.
É essencial ter em mente que somente você pode saber o quanto valoriza tanto a meta quanto os sacrifícios necessários para alcançá-la.
Portanto, ao definir suas resoluções para este ano, concentre-se em seus custos e benefícios pessoais e tome uma resolução que possa realmente deixá-lo em melhor situação. Prevejo que, se seguir esse conselho, você se encontrará entre os 10% que realmente cumprem suas resoluções de Ano Novo.
Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.
Betsey Stevenson é professora de políticas públicas e economia na Universidade de Michigan. Ela fez parte do Conselho de Consultores Econômicos do presidente e foi economista-chefe do Departamento do Trabalho dos EUA.
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