O plano da Suíça para realizar a Olimpíada de Inverno mais barata da história

Federações esportivas do país aprovaram fazer uma proposta para sediar os Jogos de 2030 em diversas cidades do pais, em vez de uma só, o que poderia reduzir os custos

Davos, na Suíça
Por Hugo Miller
25 de Novembro, 2023 | 11:17 AM

Bloomberg — A Suíça deseja sediar as primeiras Olimpíadas de Inverno espalhadas por todo o país. Além disso, busca superar a histórica oposição ao propor que os jogos sejam os mais baratos registrados.

Os Jogos de Inverno geralmente são realizados por uma determinada região ou cidade, e podem ser caros. A edição de 2018 realizada em Pyeongchang, Coreia do Sul, custou cerca de US$ 13 bilhões. Mesmo em 2002, Salt Lake City gastou US$ 2,2 bilhões nos Jogos.

Mas as federações esportivas da Suíça votaram unanimemente na sexta-feira (24) para aprovar o plano, abrindo caminho para uma proposta de US$ 1,6 bilhão para os Jogos de 2030.

Considerando a inflação, isso tornaria as Olimpíadas mais baratas da história — e as mais rentáveis desde que Los Angeles obteve lucro em 1984.

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A proposta marca uma mudança em relação aos governos que gastam bilhões para sediar os Jogos e fazer deles um demonstração de poder e de renovação urbana. Agora, a Suíça espera fazer uma Olimpíada mais sustentável e focada no esporte.

O Ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, disse que quer que os Jogos de Paris 2024 sejam os mais baratos em décadas, com o estado arcando com apenas um quarto do custo do evento de duas semanas e meia.

Ainda assim, os moradores estão cautelosos em relação às promessas dos políticos.

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“Eu sou a favor dos Jogos”, disse Shehu Shkelzen, 63 anos, enquanto tomava uma cerveja em um café em Lausanne, a apenas 200 metros da sede do Comitê Olímpico Internacional com vista para o Lago Genebra. “Mas US$ 1,5 bilhão se tornaria US$ 2 ou US$ 2,5 bilhões. É importante que não haja surpresas depois ou continuemos pagando.”

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Embora a Suíça seja a sede do COI desde 1915 e o resort suíço de St. Moritz seja creditado com a invenção do turismo de inverno, o ceticismo doméstico impediu pelo menos três ofertas anteriores para os Jogos de Inverno. A estância suíça de St. Moritz sediou os Jogos duas vezes, mas a última foi em 1948.

Quando outra oferta surgiu em 2013 para sediar os Jogos de 2022 em Graubunden, ela foi rejeitada pelos cidadãos cautelosos. Uma oferta para os Jogos de 2026 foi novamente rejeitada pelo mesma região em 2017, e um ano depois, um plano de Valais também foi rejeitado.

Desta vez, o entusiasmo para sediar os Jogos de Inverno de 2030 está aumentando, em parte devido à promessa de conter os custos.

O fato de os Jogos serem espalhados por todo o país, uma novidade olímpica, sem um único governo local arcar com o fardo, também ajuda. Dois em cada três suíços apoiariam uma candidatura, de acordo com uma pesquisa feita em agosto.

No próximo verão no Hemisfério Norte, o COI escolherá os anfitriões para os Jogos de Inverno de 2030 e 2034. Uma oferta rival de duas regiões dos Alpes franceses conta com o apoio do presidente Emmanuel Macron, enquanto outra oferta provavelmente virá da Suécia.

‘Grande dívida’

As promessas de realizar Jogos de Inverno com orçamento baixo já foram feitas e quebradas. O estádio ‘Big O’ em Montreal rapidamente recebeu o apelido de Big Owe (grande dívida), à medida que o orçamento para as Olimpíadas de 1976 aumentou mais de 700%.

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Cinquenta anos depois, quatro das sete ofertas apresentadas para os Jogos de Inverno de 2026 foram retiradas após enfrentarem uma onda de oposição local. A região de Milão-Cortina d’Ampezzo foi escolhida para sediar os Jogos de 2026 — de uma lista de apenas dois concorrentes.

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Victor Matheson, um economista do College of the Holy Cross em Worcester, Massachusetts, está cético de que os suíços possam realizar os Jogos por apenas US$ 1,6 bilhão, dado que isso seria 10% do custo médio dos últimos sete Jogos de Inverno.

“Então, talvez isso seja possível, mas parece improvável”, ele disse.

Andrew Zimbalist, professor da Smith College especializado em economia do esporte, diz que a Suíça tem a chance de equilibrar as contas porque não está prometendo novas construções.

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“Só porque você sediar os Jogos não significa que você tenha que perder dinheiro”, ele disse. “É só que foi assim tantas vezes antes.”

‘Sem gigantismo’

O plano é que Lausanne e a capital suíça Bern sediem as cerimônias de abertura e encerramento, com hóquei no gelo sendo disputado em Zurique e Zug, corridas de downhill em Crans-Montana, e eventos de half-pipe em St. Moritz.

As instalações já existem ou serão reformadas para pelo menos nove campeonatos europeus ou mundiais a serem realizados na Suíça antes de 2030, deixando apenas a patinação de velocidade de longa distância sem uma instalação.

Mas em vez de construir uma, os oficiais dizem que contariam com um país vizinho para sediar esse evento. A construção de uma vila olímpica também está fora de cogitação, em favor de hubs menores.

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Essa abordagem garantiria que não haja uma repetição do que a vice-presidente Olímpica Suíça, Ruth Wipfli-Steinegger, chama de “gigantismo” que assolou os Jogos no passado.

“Os Jogos devem se adaptar ao país organizador”, diz o Comitê Olímpico Suíço, “não o contrário.”

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