Ásia: futuros locais sinalizam queda, mas contratos dos EUA sobem com peso tech

Impasse sobre o acordo para evitar que os EUA não honrem seus compromissos pesa sobre o sentimento de investidores em todo o mundo

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Bloomberg — Os contratos futuros de ações dos EUA abriram em alta no início das negociações asiáticas nesta manhã de quinta-feira (25), com o sentimento de risco se tornando positivo após um forte salto nas previsões de vendas da Nvidia, a fabricante de chips mais valiosa do mundo.

O dólar caiu em relação ao iene depois que a Fitch Ratings alertou que pode cortar sua classificação para a nota de crédito dos EUA. A Fitch colocou os ratings do governo americano em observação com viés negativo, refletindo a disputa partidária sobre o teto da dívida, embora a agência de classificação de risco ainda espere uma resolução que evite o calote. O ouro apresentou um pequeno ganho.

Os futuros do Nasdaq 100 subiram 1,3%, após uma queda de 0,5% no índice subjacente na quarta-feira, em meio a preocupações com o impasse do teto da dívida nos EUA e o risco de outro aumento de taxa do Federal Reserve. Os contratos do S&P 500 subiram 0,4%.

Mais tarde nesta quinta-feira na Ásia, o Banco da Coreia do Sul entrega a sua decisão de política monetáriaq, com economistas prevendo que o banco central manterá as taxas pela terceira reunião consecutiva em um cenário de inflação persistente e crescimento lento. Espera-se também que o Bank Indonesia mantenha as taxas quando se reunir.

Nvidia continua a se destacar

As ações da Nvidia subiram cerca de 25% nas negociações do after hours após nova divulgação da fabricante de chips apontar que a demanda crescente por processadores de inteligência artificial deve alimentar o crescimento da receita. Houve um avanço para cerca de US$ 200 bilhões em seu valor de mercado.

“A empresa não poderia ter sido mais positiva sobre o que está vendo”, disse Adam Crisafulli, analista e fundador da mídia Vital Knowledge. “Além do enorme fluxo de receita que atingiu a empresa com a IA, as margens brutas da Nvidia agora se recuperaram amplamente para os níveis de pico anteriores.”

Os principais índices de ações da Ásia pareciam propensos a cair nesta manhã de quinta-feira, com os futuros mais baixos para Hong Kong, Japão e Austrália. Mas havia uma perspectiva de ganhos em ações relacionadas à tecnologia na Coreia do Sul, no Japão e em Taiwan.

O iene subiu 0,2% em relação ao dólar. A maioria das outras principais moedas manteve-se em faixas estreitas. Um indicador da força do dólar caiu menos de 0,1%.

A venda de dívida do governo dos EUA elevou o rendimento do Tesouro de 10 anos em cinco pontos base na quarta-feira, para um nível nunca visto desde o auge da crise bancária em março.

Além das negociações sobre a dívida, investidores estão avaliando o teor da ata divulgada da última da reunião do Fed no início de maio, que mostrou que os formuladores de política monetária estavam divididos no caminho para as taxas de juros dos EUA, o que afetou ainda mais o sentimento.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro de curto prazo subiram, pois os investidores exigiram um prêmio mais alto sobre a dívida com vencimento após 1º de junho - data em que a secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse que os EUA provavelmente começariam a não pagar as dívidas.

Os vencimentos em 6 de junho subiram acima de 6,6% nesta quarta, enquanto os vencimentos em 30 de maio estão rendendo cerca de 3%.

O economista-chefe do JPMorgan Chase, Michael Feroli, disse que as chances de as negociações sobre a dívida dos EUA passarem de 1º de junho são de 25% e estão aumentando. No entanto Charlie McElligott, do Nomura, disse acreditar que um “resultado positivo” está se aproximando, com os traders vendendo em ondas de realização de lucros antes do prazo dado pela secretária do Tesouro.

“Qualquer rali de alívio em cima de uma manchete de ‘acordo’ de teto da dívida no início da próxima semana tem o potencial de atuar como um pico local para as ações por um tempo, com a maior parte do sangue da ‘preocupação’ já espremido“, disse McElligott.

Além da incerteza sobre o teto da dívida, outros obstáculos econômicos decorrentes de condições de crédito mais restritas ainda não se refletiram nos preços de mercado, de acordo com Kim Strand, vice-presidente sênior da Franklin Templeton Investment Solutions.

“Nosso cenário base ainda é o de uma recessão”, disse Strand em entrevista à Bloomberg Television. “O ciclo de aumento das taxas pode ter acabado, mas ainda resta muito em termos de incerteza macroeconômica e como isso repercute na economia.”

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