Bloomberg — A Mercedes-Benz reportou lucros preliminares melhores do que o esperado no primeiro trimestre, uma vez que o avanço da montadora no mercado de luxo ajudou a superar os custos mais altos das matérias-primas.
O retorno ajustado das vendas da Mercedes foi de 14,8%, com a demanda robusta por suas vans e carros de luxo superando as estimativas dos analistas. O desempenho levou a ganhos para as ações nesta sexta-feira (21) em Frankfurt, na Alemanha.
“A empresa superou segmentos-chave”, disseram analistas da Bernstein liderados por Daniel Roeska, em nota. “A Mercedes está se aproximando rapidamente de uma posição que pode lhe permitir revisar o guidance para cima no final do ano.”
A fabricante alemã está tentando vender mais modelos de ponta, como o sedã Classe S, para aumentar o lucro e ajudar a financiar uma custosa mudança para veículos elétricos.
A incerteza econômica e a inflação agravaram os desafios para uma indústria que lida com problemas persistentes de oferta e preocupações com a lucratividade provocadas pelos recentes cortes de preços da Tesla (TSLA).
“Em um ambiente de mercado desafiador, mais uma vez demonstramos resiliência”, disse o diretor financeiro Harald Wilhelm em comunicado na quinta-feira (20). “Os preços fortes superaram significativamente os ventos contrários dos custos de material e levaram a outro trimestre de resultados financeiros sólidos.”
No acumulado do ano, os papéis da Mercedes sobem cerca de 14%.
Embora anos de gargalos na cadeia de suprimentos tenham deixado as montadoras com carteiras de pedidos cheias, os movimentos recentes da Tesla — cujo Modelo Y foi o veículo mais vendido na Europa no último trimestre — alimentaram preocupações de que os preços dos veículos elétricos sejam cada vez mais pressionados à medida que a concorrência se intensifica.
As ações da Renault, por exemplo, caíram na quinta-feira (20) devido às preocupações com os preços.
Na avaliação de Michael Dean, analista automotivo da Bloomberg Intelligence, o resultado da Mercedes não diminui a preocupação de que a disciplina de preços em novos pedidos possa ser reduzida à medida que a produção normaliza e os recentes cortes de preços da Tesla impactam o mercado.
“Acreditamos que é muito cedo para ver o guidance de margem Ebit de carros de 2023 (de 12% a 14%) ser aumentado devido à falta de visibilidade ao longo do segundo semestre”, disse.
Os preços de tabela na Europa estão caindo este ano, com os descontos de marcas premium subindo mais rapidamente, disseram os analistas da Bloomberg Intelligence Michael Dean e Gillian Davis nesta sexta-feira (21), citando dados da JATO.
No final do ano passado, a Mercedes reduziu os preços de seus principais veículos elétricos na China em meio à intensificação da concorrência no maior mercado automotivo. Ainda assim, a montadora aumentou com sucesso as vendas de veículos de alta margem, como o offroader S-Class e G-Wagon.
A Mercedes prevê uma margem de fabricação de automóveis entre 12% e 14% este ano, abaixo dos 14,6% em 2022. A companhia planeja divular os resultados completos em 28 de abril.
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