Banco do Brasil ‘ignora’ Americanas e amplia lucro em 52% no 4° trimestre

Banco estatal teve lucro líquido ajustado de R$ 31,8 bilhões em 2022, um crescimento de 51,3%, terminando o ano com ROE de 21,1%

Banco do Brasil distribuiu aos seus acionistas R$ 11,8 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao resultado de 2022, equivalente a um payout de 40%
13 de Fevereiro, 2023 | 07:54 PM

São Paulo — O Banco do Brasil (BBAS3) fechou 2022 com um lucro líquido ajustado de R$ 31,8 bilhões, um crescimento anual de 51,3%, com um ROE (retorno sobre o patrimônio) de 21,1%. Somente no 4º trimestre, o lucro somou R$ 9,0 bilhões, aumento de 52,4% em 12 meses, renovando recorde de geração de resultados trimestrais, com o ROE trimestral de 23.

Em comunicado, o BB atribuiu o resultado ao “crescimento da carteira de crédito, com inadimplência controlada, no fortalecimento da geração e diversificação de receitas e na disciplina na gestão de custos”.

A inadimplência ficou sob controle, segundo o banco público. O indicador referente aos atrasos acima de 90 dias (relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito classificada) atingiu 2,5% em dezembro, mantendo-se abaixo do Sistema Financeiro Nacional, que encerrou o período em 3%. O índice de cobertura do BB foi de 227,1% no final de 2022.

A carteira de crédito ampliada, que inclui TVM (títulos e valores mobiliários) privados e garantias, superou a marca histórica de R$ 1 trilhão em dezembro, uma alta anual de 14,8%. Na comparação trimestral, o crescimento foi de 3,7%.

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Já a carteira ampliada de PF (Pessoa Física) teve crescimento de 2,7% no trimestre e 9% no ano, totalizando R$ 289,6 bilhões, influenciada pelo desempenho na carteira de crédito consignado que alcançou R$ 115,1 bilhões, segundo o BB.

Por sua vez, a carteira ampliada de PJ (Pessoa Jurídica) cresceu 1,1% em três meses e 12,8% em 12 meses, totalizando R$ 358,5 bilhões, com destaque para os crescimentos de operações com recebíveis (+11,3% no trimestre e +20,4% em 12 meses) e de TVM privados e garantias (+4,6% no trimestre e +21,4% em 12 meses).

Nos destaques patrimoniais, os ativos totais fecharam 2022 acima de R$ 2 trilhões. O BB informou ainda que distribuiu aos seus acionistas R$ 11,8 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao resultado de 2022, equivalente a um payout de 40%.

A carteira ampliada do agronegócio totalizou R$ 309,7 bilhões, um crescimento de 8,3% no trimestre e 24,9% em 12 meses, enquanto a carteira de negócios sustentáveis fechou o ano em R$ 327,3 bilhões, crescimento de 12,3% em 12 meses.

Sobre a exposição à Americanas (AMER3), o comunicado do BB não fez menção. A assessoria do BB disse que o banco não faz comentários específicos. Segundo a última lista de credores divulgada na sexta-feira passada pela varejista, o BB tem crédito de R$ 1,6 bilhão a receber da Americanas.

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Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.