Mudança de rota na Unilever: gigante de bens de consumo acelera troca de CEO

Companhia dona das marcas Omo e Dove traz Hein Schumacher para a liderança após frustração de investidores com tentativa fracassada de aquisição da unidade de saúde do consumidor da GSK

unilever
Por Dasha Afanasieva
30 de Janeiro, 2023 | 11:56 AM

Bloomberg — A gigante de bens de consumo Unilever (UL), dona de marcas como Omo, Dove, Rexona, Hellman’s, Maizena, entre outras, nomeou o executivo Hein Schumacher como seu próximo CEO, antecipando a substituição de Alan Jope depois que problemas de estratégia frustraram investidores, incluindo o investidor ativista Nelson Peltz, que detém parte do capital da empresa.

A fabricante do sabonete Dove e do sorvete Ben & Jerry’s acelerou a transição de comando, e o novo CEO substituirá Alan Jope em 1º de julho, em vez de no final do ano, com uma transferência de um mês entre os dois executivos.

Hein Schumacher, de 51 anos, estava no cargo de CEO da empresa de nutrição Royal FrieslandCampina. Ele já trabalhou na H.J. Heinz, fabricante do catchup da mesma marca, e no grupo Royal Ahold NV, dono da rede de supermercados Albert Heijn, líder de mercado dos Países Baixos. Enquanto candidato externo, ele iniciou sua carreira na Unilever décadas atrás.

Dificuldades

A nomeação de Schumacher ocorre após um período difícil para Unilever e Jope. O CEO que está saindo irritou os acionistas com uma tentativa fracassada de aquisição da unidade de saúde do consumidor da farmacêutica GSK. A Unilever também está enfrentando a maior inflação em quatro décadas, o que prejudicou as relações entre produtores e clientes de supermercados.

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As ações estão sendo negociadas quase no mesmo nível de quando Jope se tornou CEO no início de 2019, mudando pouco na manhã desta segunda-feira (30).

A Unilever tem enfrentado pressão de um dos investidores ativistas mais temidos de Wall Street. Nelson Peltz acumulou uma participação por meio de seu fundo Trian e ingressou no conselho após o fracasso do negócio. Jope anunciou planos de partir em setembro e está saindo depois de 37 anos.

Peltz saudou a nomeação de Schumacher em um comunicado nesta segunda.

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“Como todos os meus colegas diretores da Unilever, apoio fortemente Hein como nosso novo CEO e espero trabalhar em estreita colaboração com ele para gerar valor sustentável significativo para as partes interessadas”, disse o investidor.

Schumacher ingressou no conselho da Unilever como diretor independente em junho, apenas um mês depois que Peltz conseguiu um assento.

‘Quase-Morte’

Com um faturamento de € 11 bilhões (US$ 12 bilhões), a FrieslandCampina tem cerca de um quinto do tamanho da Unilever e não é listada em bolsa.

Schumacher vem reestruturando a empresa, vendendo parte de seus negócios na Alemanha e fechando fábricas na Holanda.

No primeiro semestre de 2022, o lucro operacional da empresa mais que dobrou, ajudado por uma recuperação em seu negócio de nutrição infantil.

Uma questão de longo prazo tem a ver com as propostas do governo holandês para reduzir as emissões de nitrogênio. Schumacher tem descommoditizado o negócio de laticínios — construindo marcas e desenvolvendo ingredientes derivados do leite que, a longo prazo, podem permitir ao grupo reduzir as emissões sem sacrificar a renda dos agricultores.

Lidar com acionistas institucionais críticos como Terry Smith, que recentemente renovou suas críticas à agenda de propósito social da Unilever e aos investidores em comunicação, pode ser um choque para Schumacher.

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No ano passado, Smith chamou a abordagem de Jope para a unidade GSK de “experiência de quase morte” e questionou por que a empresa estava tentando promover o espírito sustentável de marcas como a maionese Hellmann’s.

Os analistas saudaram a nomeação de um executivo-chefe externo, embora não conhecessem bem, já que a empresa holandesa de laticínios não é negociada em bolsa.

“A Unilever precisa de uma reformulação cultural e organizacional”, disse James Edwardes Jones, analista da RBC. “Dito isso, achamos que vai demorar um pouco até que qualquer resultado se materialize na Unilever. Geralmente leva cerca de 18 meses antes de vermos evidências de melhor execução.”

Jope sofreu uma série de outros desafios recentemente, incluindo uma disputa com a subsidiária Ben & Jerry’s. A fabricante de sorvetes manteve o controle sobre sua missão social e em 2021 disse que não venderia mais nos territórios palestinos ocupados, incomodando Jerusalém e alguns dos acionistas americanos da Unilever. A disputa foi resolvida confidencialmente em dezembro.

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Dada a experiência de Schumacher em alimentos, a nomeação provavelmente reacenderá o debate sobre se a Unilever deveria separar seus negócios de alimentos de suas linhas de cuidados pessoais, ou pelo menos vender sua divisão de sorvetes.

“Apesar de ingressar em uma cooperativa, Schumacher traz experiência de linha de frente em grandes empresas de capital aberto e provavelmente deve ter causado uma impressão favorável e imediata no conselho da Unilever”, disse Martin Deboo, analista da Jefferies. “Ele é, no entanto, um ‘cara de alimentos’ com a pergunta imediata para nós, onde ele se posiciona na relativa atratividade do negócio de alimentos da Unilever.”

Sob Jope, a Unilever há cerca de dois anos escolheu uma única base no Reino Unido que simplificou sua estrutura anglo-holandesa anterior.

A empresa já desistiu de um plano de consolidação em Rotterdam em meio à oposição de investidores do Reino Unido. A companhia manteve operações significativas na Holanda desde então.

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-- Com colaboração de Lisa Pham

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