PIB da Espanha cresce 5,5% em 2022 e presidente critica ‘profetas do apocalipse’

Pedro Sánchez diz que resultado mostra a resistência da economia espanhola; economistas veem sinais de fraqueza em alguns dados

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Bloomberg — A Espanha cresceu mais do que o previsto no último trimestre de 2022, indicando que o país está no caminho para evitar uma recessão, mesmo com a inflação alta pressionando os gastos das famílias.

O PIB da quarta maior economia da zona do euro subiu 0,2% no trimestre, segundo dados da agência de estatística INE publicados nesta sexta-feira (27). Essa pequena expansão é igual ao ritmo do trimestre anterior e supera a média de estimativas dos economistas pesquisados pela Bloomberg, situada em 0,1%.

O resultado do trimestral elevou o crescimento espanhol de 2022 a uma taxa anual de 5,5%, mantendo o ímpeto do ano anterior. O presidente Pedro Sánchez, que deverá concorrer à reeleição este ano, injetou bilhões de euros na economia espanhola, num esforço para domar a inflação e proteger o orçamento de famílias e empresas.

O ritmo dos aumentos de preços no país diminuiu quase à metade desde seu pico de julho para 5,5% em 12 meses, à medida que os custos de energia diminuem. Embora o aumento de preços tenha desacelerado acentuadamente no segundo semestre de 2022, a economia se recuperou mais do que o previsto, quando a maioria das pesquisas apontava para dois trimestres consecutivos de retração.

“O resultado confirma a força e a resistência da economia espanhola”, escreveu Sánchez em um tuí em que desafiou os que ele denominou como “profetas do apocalipse”.

O crescimento trimestral acima ao esperado esconde, no entanto, sinais de fraqueza. Segundo Angel Talavera, chefe da economia europeia da Oxford Economics, um exemplo seria o declínio nos gastos domésticos de -1,8% nos três meses finais de 2022 em relação ao trimestre imediatamente anterior.

“O número inicialmente é positivo porque confirma que a Espanha evitará uma recessão, mas quando você olha os detalhes, os dados não parecem muito bons”, disse ele. “A maior parte da melhora vem de um declínio nas importações, o que nunca é um bom sinal. Estou surpreso com o declínio do consumo porque a diminuição da inflação deveria induzir um gasto mais forte.”

Segundo a Bloomberg Economics, as pressões inflacionárias na Espanha, segundo país mais beneficiado pelos fundos europeus de recuperação, depois da Itália, devem levar a uma expansão moderada neste ano, sendo provável que a economia cresça apenas 1,1% este ano, segundo as últimas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). O impacto dos preços mais altos também está começando a se manifestar no mercado de trabalho.

O desemprego subiu ligeiramente para 12,8% no último trimestre do ano, acima dos 12,6% nos três meses anteriores, com o número de pessoas empregadas caindo pela primeira vez no quarto trimestre desde 2017, de acordo com dados do INE divulgados na quinta-feira (26).

O relatório do PIB da Espanha antecede os números de crescimento para a União Europeia na terça-feira. Os formuladores de políticas esperam que um inverno inesperadamente ameno permita ao bloco evitar uma séria queda.

-- Com assistência de Ainhoa Goyeneche, Joel Rinneby, Ana Andrade (Economista) e Maeva Cousin (Economista)

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