Você comeria um x-burger se soubesse seu impacto climático?

Alertar sobre o impacto do consumo de carne no meio ambiente pode fazer com que consumidores prefiram opções mais sustentáveis

Cerca de um terço das emissões globais de efeito estufa estão relacionados aos sistemas alimentares, principalmente a criação de animais
Por Zahra Hirji
28 de Dezembro, 2022 | 04:53 PM

Bloomberg — Avisos sobre o clima em cardápios de fast-food podem ajudar a impedir que americanos peçam pratos contendo carne bovina – alimento com pior impacto sobre o clima – e fazer com que optem por refeições que são melhores para o planeta, de acordo com novas pesquisas.

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Os sistemas alimentares contribuem com cerca de um terço das emissões globais de gases estufa, e grande parte delas vem da criação de gado e de outros animais. Enquanto as pessoas buscam soluções climáticas para reduzir rapidamente suas emissões de gases de efeito estufa, “uma das maiores mudanças que podemos fazer é reduzir a carne vermelha que consumimos”, diz Julia Wolfson, professora adjunta da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health e uma das pesquisadoras por trás do novo estudo.

Em busca de maneiras de mudar o comportamento do consumidor, Wolfson e colegas da Johns Hopkins, Universidade de Harvard e Universidade de Michigan criaram uma experiência para testar dois tipos de alertas climáticos em cardápios de fast-food. Os pesquisadores visaram especificamente o fast-food por ser uma importante fonte de consumo de carne bovina nos Estados Unidos. Mais de um terço dos americanos consome fast-food em um dia.

Usando como modelo um cardápio de uma grande rede de fast-food, os pesquisadores chegaram a três versões de cardápio: uma sem alertas climáticos, uma segunda com alertas vermelhos sob cada opção de carne bovina observando seu “alto impacto climático” e uma terceira com alertas verdes observando “baixo impacto climático” sob frango, peixe e refeições vegetarianas. Cerca de 5 mil participantes receberam aleatoriamente um dos três cardápios e depois foram convidados a selecionar um item que eles gostariam hipoteticamente de pedir.

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O grupo que evitou a carne bovina olhou os cardápios com o rótulo de alto impacto, e 61% deles pediram uma opção mais sustentável, de acordo com o estudo do periódico médico JAMA Open Network. Mais da metade das pessoas que viram os rótulos de baixo impacto – 54,4% – fizeram uma escolha mais sustentável, e apenas menos da metade daqueles que não viram nenhum rótulo decidiram evitar a carne bovina.

“A principal constatação é que ambos os rótulos efetivamente aumentaram a proporção de participantes que pediram um item sustentável”, diz Wolfson, “mas o mais eficaz foi o rótulo de alto impacto climático ao lado de pratos contendo carne bovina”.

Essa descoberta “é consistente com pesquisas anteriores que mostraram que as mensagens negativas podem ser mais influentes do que as positivas”, diz Lindsey Smith Taillie, epidemiologista de nutrição da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, que não estava envolvida no estudo. Ela citou pesquisas que constataram que os rótulos na frente das embalagens alertando sobre alimentos “ricos em açúcar” podem levar à redução do consumo.

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Kristie Ebi, professora de clima e saúde na Universidade de Washington que também não estava envolvida no estudo, vê o resultado como um sinal de que “com mais informações, os americanos poderiam fazer melhores escolhas em termos de saúde e de sustentabilidade”. Mais pesquisas são necessárias para determinar qual é o alerta climático mais eficaz, e Ebi sugeriu olhar para a história dos rótulos de advertência nos cigarros que, desde então, “vêm melhorando em termos de eficácia”.

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Embora a pesquisa sugira que os alertas climáticos poderiam promover uma alimentação mais sustentável em um ambiente de fast-food, isso não é uma prova definitiva. “Este foi um estudo on-line com uma hipotética escolha alimentar”, diz Wolfson. “Será realmente importante ver no futuro se os resultados e a magnitude desses impactos seriam replicados em cenários do mundo real nos quais as pessoas estão fazendo escolhas reais, estão gastando seu dinheiro real e estão então tendo que realmente comer o que escolhem”.

Os pesquisadores também descobriram que as pessoas que selecionaram a opção sem carne bovina ou a opção mais sustentável, independentemente dos alertas que viram, tinham mais probabilidade de considerar essa escolha mais saudável – mesmo que não fosse necessariamente o caso. “É realmente importante como pensamos em atingir esse equilíbrio ao tentar estimular o comportamento do consumidor tanto para opções mais sustentáveis quanto mais saudáveis”, diz Wolfson.

Ebi ressaltou que nenhum dos itens do cardápio do estudo era realmente saudável, independentemente de seu impacto climático. “Isto sugere que os restaurantes de fast-food precisam de mais incentivo para oferecer opções mais saudáveis”.

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