Bloomberg — Os investidores reagiram mal ao discurso de Fernando Haddad, cotado para assumir o ministério da Fazenda, em evento da Febraban nesta sexta-feira. Dólar e juros futuros dispararam e foram às máximas em razão da ausência de detalhamento questão da fiscal e o que foi visto como falta de alinhamento com o mercado. O dólar tocou os R$ 5,42 na máxima no meio da tarde.
O ex-ministro não sinalizou qual será o tratamento fiscal no novo governo nem como pretende equalizar promessas de campanha, como o aumento do Bolsa Família para R$ 600,00. Ao mesmo tempo, ele voltou a criticar o teto de gastos, dizendo que a regra não inibiu a piora da qualidade do gasto público.
Haddad também afirmou que o orçamento precisa ser reconfigurado e que uma reforma tributária será prioridade no governo Lula.
Na sequência, em fala à imprensa, Haddad afirmou que o presidente eleito vai negociar com o Congresso a aprovação da PEC da transição, que prevê gastos fora do teto. Ele também negou que tenha sido convidado para assumir a Fazenda.
Veja o que dizem os analistas:
Gustavo Pessoa, sócio e gestor da Legacy
- Haddad mostrou alinhamento com Lula e o PT, mas "alinhamento com o mercado não foi dado"
- Ele criticou o teto dos gastos e não falou sobre responsabilidade fiscal, afirmou Pessoa
- "Discurso ainda é bem genérico e não endereça pontos importantes da dinâmica de despesas públicas"
Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs
- "O novo governo e os membros seniores da equipe de transição ainda não articularam uma visão clara para a política fiscal de médio prazo e não parecem estar na mesma página do mercado no que diz respeito às preocupações com as fragilidades fiscais do Brasil"
Bruno Carvalho, gestor da Asset 1
- "Vai se fortalecendo o call de Haddad na Fazenda"
Vinicius Alves, da Tullett Prebon
- Discurso de Haddad, em geral, "não foi super positivo, ainda mais levando em conta que ele sabe que está falando para o mercado financeiro"
Paulo Nepomuceno, trader da mesa de derivativos da Mirae Asset
- "Ele não deu pista alguma de como sair da sinuca do auxílio de R$ 600 reais"
- "O mercado leu que ele não tem plano A, B e nem C"
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Do café da manhã ao churrasco: qual é o custo para o turista na Copa do Catar?
Ibovespa amplia queda e dólar sobe com mercado de olho em sinais da equipe de Lula