Após demissões, edtech indiana Byju’s capta US$ 250 milhões para se reestruturar

Nova injeção de capital manteve o valuation da startup em US$ 22 bilhões; objetivo de investidores é tornar a empresa lucrativa até março de 2023

Empresa anunciou neste mês o corte de 2.500 funcionários, cerca de 5% da sua equipe
18 de Outubro, 2022 | 11:03 AM

Leia esta notícia em

Inglês ou emEspanhol

Bloomberg Línea — A plataforma de educação indiana Byju’s captou uma nova rodada de investimentos de US$ 250 milhões com seus atuais investidores para auxiliar em uma reestruturação. O novo dinheiro manteve o valuation da startup estável: US$ 22 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com a transação ouvida pela Bloomberg News. Segundo essa pessoa, a QIA, Qatar Investment Authority, fundo soberano do Catar, liderou o novo investimento.

Outros investidores da empresa incluem a Chan Zuckerberg Initiative (empresa de Mark Zuckerberg e sua mulher Priscilla Chan), Naspers, CPPIB, General Atlantic, Tencent, Sequoia Capital, Sofina, Verlinvest, IFC, Aarin Capital, TimesInternet, Lightspeed Ventures, Tiger Global e Owl Ventures.

A Prosus Ventures, braço da Naspers que detém pouco menos de 10% da startup, disse que seu prejuízo no ano financeiro terminado em março para seus investimentos em edtech aumentou para US$ 117 milhões, refletindo a adição do Stack Overflow e “um aumento do investimento na Byju’s para expandir suas operações”.

No mês passado, a Byju’s apresentou seus resultados financeiros auditados para o período de 12 meses encerrado em março de 2021, mostrando prejuízos. Na semana passada, a empresa disse que demitiria 2.500 funcionários ou cerca de 5% de sua força de trabalho total e reduziria seus custos de marketing e vendas.

PUBLICIDADE

A empresa usará o novo capital para ajudá-la a se tornar lucrativa, disse o fundador Byju Raveendran em comunicado à imprensa. Segundo ele, a Byju’s está agora “naquele ponto ideal de sua história de crescimento, onde os unit economics e e as economias de escala estão a seu favor”.

“Isso significa que o capital que agora investimos em nosso negócio resultará em crescimento lucrativo e criará impacto social sustentável”, disse.

Raveendran alegou que independentemente das condições macroeconômicas adversas, 2022 e 2023 serão os melhores anos em termos de receita, crescimento e lucratividade da Byju’s. “O apoio contínuo de nossos estimados investidores reafirma o impacto criado por nós até agora e valida nosso caminho para a lucratividade.”

PUBLICIDADE

A edtech diz ter mais de 150 milhões de alunos em mais de 120 países. A startup recentemente demitiu centenas de funcionários pelo mundo, incluindo cortes previstos no Brasil, seguindo a contenção de custos em empresas de tecnologia causada pelo ambiente de aumento das taxas de juros e redução de capital para ativos de risco.

A Byju’s disse que pretende alcançar a lucratividade até março do próximo ano. Para conseguir isso, a empresa disse que vai consolidar todas as suas subsidiárias K10 India em uma única unidade. As adquiridas Aakash Education e Great Learning vão continuar operando como unidades independentes. A empresa disse ainda que vai redirecionar seu orçamento de marketing para mercados estrangeiros, já que na Índia a empresa “já se tornou uma das marcas de consumo mais populares”.

A Byju’s disse ainda que está aumentando a força de sua equipe de vendas internas para conversões de leads centradas no consumidor mais eficientes e eficazes.

No Brasil, a Byju’s começou a atuar há um ano com cerca de 300 profissionais, oferecendo aulas de programação online para crianças por meio do produto Byju’s Future School.

A startup também atua no México, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Austrália, na Nova Zelândia e na Indonésia e adotou uma estratégia de expansão com aquisições significativas: a Byju’s realizou uma série de compras, como o aplicativo de leitura americano Epic, por US$ 500 mihões, o serviço de Cingapura Great Learning, por US$ 600 milhões, o site de codificação norte-americano Tynker, por US$ 200 milhões, e o operador de matemática da Áustria GeoGebra, por cerca de US$ 100 milhões.

-- Com informações da Bloomberg News

Leia também:

Estrategista mais otimista de Wall Street faz alerta e reduz exposição ao risco

Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups