Bloomberg — O presidente Joe Biden afirmou que uma recessão nos EUA é possível, mas que qualquer desaceleração seria “muito leve” e que a economia dos EUA é resiliente o suficiente para enfrentar a turbulência.
“Acho que não haverá recessão. Se for, será uma recessão muito leve. Ou seja, vamos desaceleraar um pouco”, disse Biden em entrevista na terça-feira à CNN.
Ainda assim, os temores de um tropeço econômico persistem. O Fundo Monetário Internacional reduziu na terça-feira sua previsão de crescimento dos EUA para 2022 para 1,6% e a manteve em 1% para 2023. Reduziu sua previsão de crescimento global em 2023 e alertou para uma piora das perspectivas para a economia global.
Biden destacou vitórias legislativas que visam reduzir o custo de vida para famílias americanas, como o pacote democrata Inflation Reduction Act (Lei de Redução da Inflação, na tradução literal), que inclui a previsão de menores despesas com medicamentos. Ele afirmou ainda que essas medidas devem amortecer o impacto de qualquer estagnação ou desaceleração e expressou desconfiança com os alertas dos especialistas sobre a recessão.
“A cada seis meses eles dizem isso”, disse ele sobre as previsões. “Há tanta coisa que foi realizada que a ideia de que há algo – há automaticamente uma recessão a caminho, e simplesmente não existe – simplesmente não existe.”
Questionado se o povo americano deveria se preparar para uma recessão, Biden respondeu: “Não”.
O modelo de probabilidade de recessão da Bloomberg Economics em setembro apontou 30% de chance de uma desaceleração a partir dos próximos 12 meses. Essa estimativa baseada no modelo pode até subestimar o risco, com o aperto acelerado do Fed na política monetária deixando uma recessão com uma alta probabilidade no segundo semestre de 2023, de acordo com a equipe da Bloomberg Economics dos EUA.
Biden tem dito repetidamente que não espera uma recessão, muitas vezes discordando de republicanos ou analistas que alertaram que uma desaceleração em alguma medida é uma possibilidade, se não uma probabilidade ou quase certeza.
O Fed não está prevendo oficialmente uma recessão, mas suas autoridades esperam que o desemprego aumente no próximo ano e o presidente do Banco Central americano Jerome Powell tem alertado que pode haver problemas econômicos decorrentes dos aumentos acentuados das taxas do banco central.
O Fed está prestes a decidir sobre sua quarta alta consecutiva de 0,75 ponto percentual em sua próxima reunião, no início do próximo mês, poucos dias antes das eleições de meio mandato. As eleições legislativas americanas, chamada de “midterms”, ocorrem dois anos depois da eleição presidencial
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
EUA esperam maior inflação em 40 anos e nova pressão sobre o Fed