PDT e Ciro Gomes declaram apoio a Lula no 2º turno

Partido do ex-governador do Ceará declara apoio ao ex-presidente em troca do compromisso com três de suas propostas em eventual governo a partir de 2023

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Bloomberg Línea — O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), que ficou em quarto lugar no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano, anunciou nesta terça-feira (4) apoio ao ex-presidente Lula (PT) na disputa do segundo turno contra o atual presidente Jair Bolsonaro, no dia 30 de outubro.

A decisão do PDT de apoiar o ex-presidente foi unânime e Ciro seguirá essa diretriz, disse Carlos Lupi, presidente do Partido Democrático Trabalhista, nesta terça.

Logo depois do anúncio do PDT, Ciro publicou um vídeo em suas redes sociais para formalizar o apoio a Lula, seguindo a orientação do partido, mas sem citar o ex-presidente ou o PT. “Sempre me posicionei e me posicionarei na defesa do país contra projetos de poder que levaram nosso povo a essa situação grave e ameaçadora. Espero que essa decisão ajude a oxigenar - temporariamente que seja - nossa democracia”, disse.

Mas deixou claro que não pleiteará cargos num eventual governo Lula e ressalvou: “Fiquem certos de que, como sempre fiz, vou fiscalizar, acompanhar e denunciar qualquer desvio do governo que assumirá em janeiro”. Foi o que foi considerado um “apoio crítico” a Lula, que foi o candidato mais votado na primeira etapa das eleições - o segundo foi o presidente Jair Bolsonaro (PL).

O anúncio de Ciro acontece depois de reuniões entre lideranças do PDT e do PT ao longo dos últimos dois dias para negociar o apoio.

Pessoas ligadas aos dois partidos contaram que o PDT apenas pediu ao PT que se comprometesse com três propostas de Ciro: a renegociação das dívidas dos brasileiros inscritos em serviços de restrição a crédito, como o SPC e a Serasa; uma renda básica de R$ 1 mil para pessoas de baixa renda; e a defesa da escola em tempo integral. O PT já teria sinalizado positivamente aos pedidos.

Ciro teve neste ano um desempenho nas urnas que ficou aquém das expectativas. Em 2018, ele conseguiu 12% dos votos válidos no primeiro turno e ficou em terceiro lugar.

Neste ano, o pedetista ficou com cerca de 3% dos votos e terminou em quarto lugar, sendo superado pela senadora Simone Tebet (MDB) depois de ter ficado à frente quase toda a campanha.

Segundo analistas, isso aconteceu porque, ao intensificar a postura antipetista na reta final da campanha, Ciro acabou empurrando seus eleitores para Bolsonaro, em vez de conquistar votos. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dois candidatos que vão disputar o segundo turno receberam quase 92% dos votos válidos. O espaço para uma “terceira via”, portanto, era curto.

Em 2018, Ciro foi bastante criticado por apoiadores e por petistas em razão de, depois de não conseguir passar para o segundo turno, evitar se pronunciar sobre apoios e viajar para Paris.

- Com a Bloomberg News.

-- Notícia atualizada para acrescentar que, logo depois do anúncio do PDT, Ciro divulgou um vídeo formalizando o apoio a Lula