Bloomberg — As ações na Ásia devem cair na quarta-feira com a perspectiva de um aperto monetário agressivo contínuo do Federal Reserve e com os traders avaliando um possível aumento na tensão entre a China e Taiwan.
Os futuros operavam no vermelho no Japão e na Austrália e caíam mais de 2% em Hong Kong. O último pode refletir o risco de aumentar o atrito entre Pequim e Taipei depois que soldados taiwaneses dispararam tiros para afastar drones civis. As ações chinesas listadas nos Estados Unidos caíram na terça-feira em meio a esses desenvolvimentos. Os contratos do S&P 500 e do Nasdaq 100, de alta tecnologia, oscilaram depois que as ações de Wall Street atingiram a mínima de um mês.
Dados robustos sobre a demanda por mão de obra e a confiança do consumidor nos EUA contribuem para as apostas na necessidade de aumentos acentuados das taxas de juros para combater a inflação. Autoridades do Fed reiteraram sua determinação em conter as pressões sobre os preços. O indicador do dólar estava firme e os títulos do Tesouro de vencimento mais curto caíram, aprofundando uma inversão da curva de juros que aponta para temores de que o Fed desencadeie uma recessão. Nas commodities, o petróleo caiu e era negociado em torno de US$ 92 o barril. O Iraque disse que as exportações não foram afetadas por confrontos violentos, aliviando as preocupações com a oferta.
As apostas do mercado em uma trajetória mais rasa para o aperto do Fed estão recuando, aumentando a perspectiva de mais perdas para ações e títulos em um ano já difícil. Os investidores estão vasculhando os dados recebidos em busca de pistas sobre o caminho da política, com os números de empregos de agosto nos EUA na sexta-feira sendo o próximo relatório importante.
“O que está claro é que prever esse mercado não é algo simples”, disse Angeline Newman, diretora-gerente do UBS Global Wealth Management, à Bloomberg Television. “Estamos vivendo em um mundo onde os sinais econômicos conflitantes estão tornando o caminho da política monetária muito difícil de determinar.” Autoridades do Fed novamente enfatizaram seu compromisso em derrotar a inflação, permanecendo vagas sobre quão grande será sua mudança de política no próximo mês.
O chefe do Fed de Nova York, John Williams, disse que as taxas precisarão ser mantidas em território restritivo por “algum tempo”, acrescentando que isso significa até 2023 – a última autoridade a adiar as expectativas de cortes do mercado financeiro no próximo ano. Os investidores também estão enfrentando uma crise energética europeia que ameaça levar a região à recessão, bem como a queda no mercado imobiliário da China e as restrições à covid. A Bloomberg Economics espera que os índices dos gerentes de compras sinalizem a contração da manufatura na China.
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