Quanto custa morar no prédio mais alto de SP? (mesmo que não seja no topo)

Platina 220, com 46 andares e 172 metros, na zona leste da capital paulista, reflete aposta consagrada em destinos turísticos como Balneário Camboriú, em Santa Catarina

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São Paulo — A cidade de São Paulo ganhará em breve seu prédio mais alto. É o Platina 220, com 50 andares (dos quais 46 ocupados) e 172 metros de altura, localizado no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista.

O novo edifício residencial vai superar o Mirante do Vale (170 metros de altura e 51 andares), no centro de São Paulo, inaugurado em 1966. O empreendimento de uso misto próximo ao Vale do Anhangabaú chegou a ser o mais alto da América do Sul e do Brasil (até 2014). Desde o ano passado, o Mirante do Vale virou atração turística da capital paulista com um chão de vidro no 42º andar.

Atualmente, Balneário Camboriú, um dos principais destinos turísticos do litoral de Santa Catarina, é a capital dos arranha-céus do Brasil. O mais alto já concluído e ocupado é o Infinity Coast, com 234 metros e 66 andares. Em breve, vai perder esse status para dois edifícios na mesma cidade, o One Tower (com 290 metros de altura) e o Yachthouse Residence Club (281 metros), que estão em fase final de construção.

O jogador Neymar pagou R$ 4,7 milhões pela cobertura de 257 metros quadrados de área privativa no 75º andar do Yachthouse Residence Club, segundo reportagem publicada pelo jornal esportivo Lance.

O preço do apartamento residencial mais caro do Platina 220 está na casa de R$ 700 mil. O valor “acessível” se deve a um fator fundamental: o tamanho limitado dos imóveis.

Os imóveis para morar estão localizados do 4º ao 11º andar, a preços entre R$ 689 mil (35,53 metros quadrados) a R$ 708 mil (36,77 metros quadrados), segundo valores no site da incorporadora.

“Não havia na região um produto que olhasse para os jovens da região, que, em sua maioria, saem da zona leste para morar em outras regiões da cidade”, disse Igor Melro, diretor comercial da Porte Engenharia, à Bloomberg Línea sobre as razões para optar pelo modelo de apartamentos menores em vez de coberturas ou imóveis voltados para o público de média e alta renda no Platina 220.

Já para as salas comerciais (do 15º ao 17º), os valores variam de R$ 779 mil (40,29 metros quadrados) a R$ 884 mil (46,02 metros quadrados). Os pavimentos mais altos estarão reservados para lajes corporativas.

O empreendimento consumiu quatro anos de obras, com um VGV (valor geral de vendas, equivalente à receita bruta do projeto) de quase R$ 600 millhões. O metro quadrado dos apartamentos residenciais saiu por até R$ 20 mil. A título de mera ilustração, o metro quadrado de um apartamento de frente para o mar no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, chega a custar quase R$ 40 mil.

A Porte Engenharia e Urbanismo, incorporadora responsável pelo empreendimento, espera que a torre contribua para a expansão do turismo de negócios na região, em razão da proximidade com o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Isso poderia, em tese, atrair investidores para projetos imobiliários de alto padrão em bairros onde há ainda mais terrenos disponíveis e a preços mais baixos do que em áreas mais adensadas, caso do entorno das avenidas Berrini, Faria Lima e Paulista.

Mas haverá opções de hospedagem no prédio mais alto na maior metrópole do país. O Platina 220 terá também um hotel da rede Intercity, do 1º ao 10º andar, além de salas comerciais e lajes corporativas.

Localizado perto do Shopping Metrô Tatuapé, o Platina 220 tem 10 andares para o uso residencial e outros 10 para o hotel. O restante é formado por lajes corporativas de 500 metros quadrados e salas comerciais de 30, 40 e 50 metros quadrados. Haverá escritórios do Itaú Unibanco (ITUB4), segundo a Porte Engenharia. O edifício será inaugurado com ocupação de 70%.

Haverá um heliporto, em fase de obtenção de autorização, em pavimento acima do 46º andar.

Faria Lima da zona leste

Para criar o projeto, a construtora recorreu ao escritório paulistano Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados, conhecido como KV.

“Preferimos um escritório nacional a um estrangeiro. Já temos outros projetos com o escritório KV”, explicou o diretor da Porte.

O edifício se insere em um projeto maior da construtora, chamado Eixo Platina, que tem a pretensão de se tornar uma espécie de “Faria Lima da zona leste” de São Paulo.

É uma região que foi reduto de migrantes e que começa a se desenvolver rapidamente, com novos prédios, beneficiando-se da escassez de terrenos disponíveis na outra ponta da cidade, a zona oeste, onde ficam hoje as sedes de instituições financeiras e grandes empresas na capital paulista.

O Eixo Platina, localizado em paralelo à avenida Radial Leste entre as estações Belém e Carrão do Metrô, está planejado, segundo a construtora, para reunir empreendimentos com diferentes tipos de uso, de lajes corporativas, salas comerciais, apartamentos residenciais e hotéis a redes de varejo e espaços destinados para entretenimento, educação e saúde, por exemplo.

“A região da zona leste tem uma grande demanda por esse tipo de empreendimento, mas a oferta ainda é pequena. Há mais de 1.000 empresas em um raio de 8 km que podem ocupar lajes corporativas ou salas no Eixo Platina”, afirmou o executivo da Porte.

A empresa informa que já entregou mais de 40 projetos, dos quais grande parte na região do Tatuapé e da Anália Franco, de apartamentos residenciais com mais de 600 metros quadrados a empreendimentos comerciais.

O preço de cerca de R$ 20 mil representa o dobro do valor médio da cidade com o metro quadrado mais caro do país, que é também Balneário Camboriú (R$ 9.888), segundo o Índice FipeZap com dados de abril de 2022, superando São Paulo (R$ 9.831) e Rio de Janeiro (R$ 9.701).

Os valores por metro quadrado são servem apenas como parâmetro para o mercado imobiliário, com a ressalva de especialistas sobre as especificidades de cada empreendimento.

Edifícios que têm plantas, localização e valores de construção semelhantes são aqueles que podem ser comparados de forma mais adequada. “Estimar o valor médio de um imóvel em regiões incompatíveis, com outros parâmetros de custo, exige uma análise que vai muito além das cifras. São muitos os aspectos que alteram a valorização de uma cidade”, disse Bruno Fabbriani, CEO da Incorporadora BFabbriani.

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