Mercados

É hora de voltar para ativos de risco na bolsa, diz estrategista do JPMorgan

Para Marko Kolanovic, um dos principais nomes de Wall Street na área, fundo do poço para a bolsa provavelmente já passou e há ações com valuations atraentes

Visão de estrategista do JP Morgan é a de que muitas das más notícias de dados econômicos fracos agora estão precificadas
Por Sagarika Jaisinghani
03 de Agosto, 2022 | 10:13 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — Marko Kolanovic, do JPMorgan Chase (JPM), está entre os principais estrategistas de Wall Street. Ele está emergindo como um dos poucos que ainda defendem que a volta do bull market é possível e que acreditam que as ações dos Estados Unidos vão subir no segundo semestre.

Eleito o estrategista número um em ações na pesquisa de investidores institucionais em 2021, ele manteve seus apelos por ativos de risco neste ano, apesar do forte revés nos preços no primeiro semestre. Kolanovic espera uma recuperação nas ações com valuations atraentes e afirma que o fundo do poço provavelmente já passou.

“Embora a perspectiva de atividade permaneça desafiadora, acreditamos que o risco-retorno para as ações parece mais atraente à medida que avançamos no segundo semestre”, escreveu Kolanovic em nota na segunda-feira (1°). “A fase de dados ruins sendo interpretados como bons está ganhando força, enquanto estão sendo feitas apostas de que o Federal Reserve atinge o seu momento mais hawkish [rigoroso], bem como de que os yields [rendimentos de títulos] e a inflação chegaram ao pico.”

Sua visão de que muitas das más notícias de dados econômicos fracos agora estão precificadas e que as ações terminarão o ano “significativamente mais altas” contrasta fortemente com as expectativas de bancos como Goldman Sachs (GS), Morgan Stanley e Bank of America (BAC).

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Cecilia Mariotti, do Goldman, escreveu em nota na segunda (1) que ainda era muito cedo para os mercados descartarem o risco de uma recessão nas apostas de uma mudança na postura agressiva do Fed em relação à política. E, mesmo após a liquidação deste ano até aqui nas bolsas, os riscos de recessão não estão totalmente precificados em ações europeias, de acordo com Goldman.

“Olhando para a reavaliação de ativos cíclicos nos EUA e na União Europeia, achamos que o mercado pode ter sido complacente cedo demais em diminuir os riscos de recessão nas expectativas de uma postura de política monetária mais acomodatícia”, disse Mariotti.

As ações dos EUA subiram acentuadamente em julho, levando o S&P 500 ao maior ganho mensal desde novembro de 2020, com dados mais sombrios aumentando as apostas de que o Fed diminuirá o ritmo de aumentos das taxas de juros, com sinais de um segundo semestre melhor do que o temido.

A temporada de lucros do segundo trimestre também eleva a demanda por ativos de de risco. Mas a recuperação agora enfrenta um teste crucial, já que agosto e setembro são historicamente os piores meses para o índice de referência dos mercados acionários nos EUA.

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Dados de mercado da adoção de posições short, em que os investidores apostam na queda dos preços de ativos como ações, indicam que Kolanovic pode estar certo ao prever uma recuperação sustentada, pelo menos no curto prazo.

Os estrategistas do Citigroup, incluindo Chris Montagu, disseram que as posições vendidas na maioria dos mercados estão enfrentando perdas acentuadas após o rali da semana passada, aumentando o risco de um aperto a descoberto, quando acontece um rápido aumento no preço de uma ação, com a desmontagem forçada de grandes posições.

Mas, com os dados econômicos ainda muito incertos, os mercados podem permanecer voláteis nos próximos meses, de acordo com Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Global Wealth Management. “Aconselhamos os investidores a não lerem demais o quadro um pouco mais positivo de julho”, disse ele nesta terça-feira (2).

Enquanto isso, o Morgan Stanley e o Bank of America esperam revisões acentuadas para baixo nas estimativas de lucros corporativos para aumentar a pressão sobre as ações nos próximos meses. Wilson, do Morgan Stanley - um dos maiores defensores da visão de bear market em Wall Street -, disse na segunda que, embora as estimativas de lucros tenham começado a cair, a maioria das revisões corporativas ocorrerá apenas no quarto trimestre.

Michael Hartnett, estrategista do Bank of America, também disse na semana passada que era muito cedo para se posicionar para uma negociação em um mercado de alta e que os “verdadeiros mínimos” do S&P 500 estavam abaixo de 3.600 pontos – cerca de 13% abaixo do seu último fechamento.

Mas Kolanovic, do JPMorgan, diz que os valuations do S&P 500 parecem melhores do que se avalia, dada a presença de empresas de maior qualidade no índice, acrescentando que a taxa na qual os múltiplos de ações se contraíram excede a compressão típica observada durante recessões anteriores.

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Kolanovic também argumenta que as expectativas dos investidores provavelmente serão redefinidas em relação à política do Fed, bem como aos ganhos da empresa. “Os mercados de risco estão se recuperando apesar de alguns dados decepcionantes, indicando que más notícias já foram antecipadas/precificadas”, disse ele.

Embora os apelos de uma recessão iminente nos EUA também estejam crescendo depois que dados mostraram que o PIB encolheu mais do que o esperado no segundo trimestre, os estrategistas do JPMorgan disseram que ainda esperam que o país evite esse estágio de contração econômica.

(Atualizações com comentários de Goldman Sachs, UBS, Citi a partir do quarto parágrafo)

- Com assistência de Michael Msika, Farah Elbahrawy e Jan-Patrick Barnert.

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