Negócios

Fábricas de fertilizantes da Petrobras atraem interesse da Yara

Interesse no setor foi renovado depois que a guerra na Ucrânia interrompeu o fornecimento e impulsionou preços

Soja
Por Mariana Durao e Cristiane Lucchesi e Tatiana Freitas
03 de Agosto, 2022 | 03:39 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

As últimas tentativas de vender duas unidades de fertilizantes da Petrobras (PETR3; PETR4) estão atraindo o interesse de empresas, incluindo a gigante europeia de nutrientes agrícolas Yara International, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Antes um importante player no setor de fertilizantes, a estatal optou por sair do mercado em 2018, mas o processo de desinvestimento se mostrou desafiador. Agora, há um interesse renovado depois que a guerra na Ucrânia interrompeu o fornecimento e impulsionou os preços para níveis máximos.

A lista de potenciais interessados nos ativos da Petrobras também inclui a CSN (CSNA3) e a fabricante russa de fertilizantes EuroChem, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque as discussões não são públicas.

A Petrobras e a Yara não comentaram. A CSN e a EuroChem não responderam imediatamente a um e-mail com pedido de comentários.

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A Petrobras quer alienar ativos não essenciais para se concentrar na chamada região offshore do pré-sal, que detém suas maiores e mais lucrativas descobertas de hidrocarbonetos.

A petrolífera manteve conversas com a Yara por mais de um ano sobre a venda da Araucária Nitrogenados, usina conhecida como ANSA no estado do Paraná, disseram algumas das pessoas. Mas na semana passada o conselho da Petrobras rejeitou por unanimidade uma oferta da empresa com sede em Oslo, disseram as pessoas.

Com capacidade de produção diária de 1.975 toneladas métricas de ureia e 1.303 toneladas de amônia, a ANSA foi desativada no início de 2020 após uma série de prejuízos desde sua aquisição em 2013. A Yara ainda tem interesse na usina e a eleição de um novo conselho de administração na Petrobras, marcada para 19 de agosto, reabre as portas para uma aprovação, disse uma das pessoas.

O processo de desinvestimento da outra unidade, a fabricante de fertilizantes nitrogenados UFN-III no estado do Mato Grosso do Sul, foi retomado após a venda para a russa Acron PJSC ter sido abortada. Na época, a Petrobras disse que o plano de negócios proposto impossibilitaria as aprovações governamentais para a transação. Um requisito mínimo exigido do comprador é o compromisso de concluir as obras de construção do UFN-III, segundo prospecto de venda do ativo divulgado pela estatal.

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Agora a UFN-III está atraindo o interesse da CSN, EuroChem e Yara, entre outras, embora nenhuma proposta tenha sido feita em um processo que ainda está em estágio inicial, disse uma das pessoas. Em abril, o presidente da Unigel, Roberto Noronha Santos, disse à Reuters que a empresa brasileira também tem interesse na UFN-III.

Localizada na cidade de Três Lagoas, a UFN-III tem capacidade projetada de ureia de quase 20% do consumo percebido do Brasil em 2020, mais 2.200 toneladas de amônia por dia, com consumo de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O Brasil é uma superpotência agrícola, com forte demanda por nutrientes dos produtores de soja e milho.

O aumento dos preços do gás, principal insumo para o fertilizante de amônia rico em nitrogênio, aumentou os custos de produção e reduziu parte da produção global.

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