Mercados

Mercado aguarda decisão do Fed sem sinais sobre próximos passos

Banco central americano deve evitar sinalizar sobre o que, em última análise, pode ser necessário para trazer a inflação de volta a níveis aceitáveis

Alta volatilidade tem sido a tônica do mercado há meses, à medida que o Fed foi de um aumento de juros de um quarto de ponto percentual em março para meio ponto em maio e três quartos em junho
Por Ye Xie e Liz McCormick
26 de Julho, 2022 | 05:39 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Talvez a maior surpresa que o Federal Reserve possa oferecer ao mercado de juros nos Estados Unidos amanhã (27) seja uma visão mais clara de quanto mais a taxa básica precisará subir para restaurar a estabilidade de preços.

A decisão da reunião do banco central americano deve ser outro aumento de 0,75 ponto percentual, elevando a taxa básica para 2,5%. Mais para frente, os contratos de swap que fazem referência às datas de reuniões do Fed precificam um aumento de meio ponto em setembro e um pico em torno de 3,4% em dezembro, seguido por cortes em 2023.

Surpreso com a persistência da inflação alta este ano, o Fed provavelmente evitará sinalizar sobre o que, em última análise, pode ser necessário para trazê-la de volta a níveis aceitáveis. Com isso, há muito dinheiro apostando na ideia de que a necessidade de flexibilidade do chefe do Fed Jerome Powell manterá as medidas de volatilidade derivadas dos preços das opções de taxas de juros elevadas.

“Dada toda a incerteza da inflação, o Fed não pode dar uma estimativa futura específica”, disse Ben Emons, macroestrategista global da Medley Global Advisors. “Powell precisa ter opções.”

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Essa expectativa levou o custo relativo de se proteger da volatilidade das taxas de dois anos, mais sensíveis do que as de longo prazo à trajetória de política monetária do Fed, a níveis quase recordes. O custo de uma opção de um ano com preço de exercício próximo da cotação de um swap de juros de dois anos excede a mesma opção para um swap de 30 anos pela margem mais ampla desde que a Bloomberg começou a compilar os dados em 2005.

O Banco Central Europeu ofereceu um modelo na semana passada, quando a presidente Christine Lagarde formalmente suspendeu a prática de opinar sobre ações futuras. Os formuladores de políticas do BCE “estão muito mais flexíveis, pois não estamos oferecendo qualquer tipo de estimativa futura”, disse ela.

A alta volatilidade tem sido a tônica do mercado há meses, à medida que o Fed foi de um aumento de juros de um quarto de ponto percentual em março – o primeiro desde 2017 – para meio ponto em maio e três quartos em junho. A um certo ponto este mês, um aumento de um ponto percentual foi considerado o resultado mais provável da reunião desta semana, embora as expectativas tenham sido moderadas desde então.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dois anos, entre os prazos de dívida do governo mais intimamente ligados à política do Fed, está em cerca de 3%, enquanto a taxa de 10 anos está em torno de 2,75%. O diferencial entre esses dois rendimentos de referência, um indicador de expectativas de crescimento econômico amplamente observado, tem sido negociado no nível mais invertido desde 2000.

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