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Netflix: América Latina representa maior crescimento no 2° trimestre

Streaming teve receita de US$ 1 bilhão na região, que também é base de testes para novos serviços de monetização

No semestre, o crescimento da Netflix na América Latina foi de 14% em relação aos primeiros seis meses de 2021, também superando as demais regiões
19 de Julho, 2022 | 08:25 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — A América Latina representou o maior crescimento ano a ano para a Netflix (NFLX) no segundo trimestre em relação às outras regiões do mundo (Estados Unidos e Canadá; Europa, Oriente Médio e África; e Ásia e Pacífico). A empresa de streaming cresceu 16% na América Latina no segundo trimestre de 2022 em relação ao mesmo período ano passado, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (19).

No semestre, o crescimento foi de 14% em relação aos primeiros seis meses de 2021, também superando as demais regiões.

A receita da Netflix na América Latina ficou praticamente estável - de US$ 999 milhões para US$ 1 bilhão nos três meses até junho - em relação ao primeiro trimestre, e o faturamento foi de US$ 2 bilhões no primeiro semestre deste ano na região. O número de assinantes pagos na América Latina ficou estável em 39,62 milhões no segundo trimestre.

Em março, a Netflix divulgou que estava fazendo testes de dois recursos pagos para compartilhamento de contas no Chile, Costa Rica e Peru. Na segunda-feira (18), a empresa disse que, nesses países, agora vai perguntar se os usuários desejam pagar uma taxa, a um valor não especificado, para adicionar um novo membro à conta.

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Os testes também estão sendo expandidos para a Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras, e República Dominicana, onde os usuários serão questionados se desejam pagar um extra para compartilhar a conta. O valor vai variar de US$ 1,70 na Argentina a US$ 2,99 nos demais países.

Questionado pelos investidores após a divulgação dos resultados do trimestre, o COO do Netflix, Greg Peters, disse que a empresa estava “trabalhando com essa tecnologia nos bastidores” pelos últimos dois anos e agora está lançando o serviço para teste com os usuários da América Latina em cinco novos mercados.

Peters explicou que a empresa está testando dois modelos com os consumidores latino-americanos.

No primeiro modelo, os consumidores pagam para adicionar um novo membro. No segundo modelo, os usuários pagam para adicionar novos domicílios.

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“Neste ponto estamos começando a ver o que de fato funciona para os usuários. Estamos aprendendo bastante enquanto empregamos os modelos. Ainda é cedo para dizer, começamos a testar o segundo modelo agora. Mas posso dizer que estamos confiantes, com base no que estamos vendo, para lançar oficialmente no ano que vem como estamos planejando”, disse.

Questionado como a Netflix saberá se os usuários estão viajando ao acessar a conta de outra localidade, Peters disse que uma das razões pela qual a empresa está trabalhando nisso há um tempo é para construir capacidades técnicas para entender sinais de rede.

“É para ser um modelo user friendly que suporta casos como viagem, diferentes dispositivos, mas também nos dando a certeza de que estamos fazendo um bom trabalho sendo remunerados. Os modelos são diferentes e estamos descobrindo o que vai funcionar melhor”, disse.

O pagamento para compartilhar a conta é uma das alternativas que a Netflix está testando para monetizar o serviço, junto de uma versão da plataforma de streaming com anúncios de publicidade.

No segundo trimestre, a Netflix perdeu menos assinantes do que esperava, muito por conta do sucesso do seriado Stranger Things, no que o CEO Reed Hastings atribuiu a “resultados menos piores”.

Mesmo assim, “perder um milhão de assinantes e chamar de sucesso é complicado”, reconheceu Hastings, durante a gravação do vídeo para investidores.

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A empresa disse ainda que toda recessão é diferente e está monitorando de perto o cenário macroeconômico, mas se mostrou otimista com os unit economics das novas formas de monetização, como a publicidade. Segundo a Netflix, empresas estão interessadas em anunciar na plataforma e querem se associar aos títulos de sucesso do streaming.

A Netflix espera que, em um primeiro momento, a publicidade represente uma pequena fração da receita, mas que crescerá ao longo do tempo.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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