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Em busca de novos clientes, WeWork quer vender coworking como benefício

Escritórios compartilhados não devem ser visto como concorrentes do home office, diz o CMO para América Latina, Guilherme Trementocio, à Bloomberg Línea

'As pessoas podem trabalhar de casa, do escritório da empresa e de um prédio da WeWork'
19 de Julho, 2022 | 07:45 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Entre os novos hábitos trazidos pela pandemia, trabalhar de casa foi um dos que mais atingiram o cotidiano das pessoas. Muitas companhias devolveram andares em que ficavam seus escritórios e aderiram ao home office definitivo, enquanto outras optaram pela jornada híbrida. São concorrentes do trabalho em casa, mas não na visão da WeWork, companhia americana que consagrou o modelo de escritórios compartilhados.

Em sua primeira campanha voltada especificamente para a América Latina, a companhia quer disseminar o conceito do coworking como um benefício - complementar ao escritório próprio ou ao home office. Ou seja, algo equivalente a um plano de saúde, um vale refeição ou um plano de acesso a academias.

“Você pode ficar um dia trabalhando de casa, outro no escritório da empresa e outro em um prédio da WeWork, por exemplo. Queremos estimular a flexibilidade e, ao mesmo tempo, renunciar ao modelo tradicional”, disse Guilherme Trementocio, CMO (executivo-chefe de Marketing) da WeWork para a América Latina, em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea. “Para alguém que mora longe da sede da empresa, mas tem uma WeWork perto, pode ser uma opção para revezar com o home office.”

A WeWork, segundo o executivo, aposta em um produto chamado all access. Trata-se de um cartão ilimitado que permite acesso a qualquer uma das 700 unidades no mundo.

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Conceder mais benefícios e liberdade aos funcionários tem sido uma das formas de empregadores de reter talentos, principalmente após o movimento global de demissões conhecido como Great Resignation. A tendência, mais forte nos Estados Unidos, surgiu com a pandemia, alimentada em parte por uma sensação crescente de que a vida é muito curta para ficar preso a um trabalho insatisfatório.

Segundo pesquisa do instituto americano ADP Research, reconhecido por dados do mercado de trabalho, dois em cada três entrevistados (64%) da pesquisa “People at Work 2022: a Global Workforce View” dizem que procurariam outro emprego se o trabalho presencial for obrigatório diariamente. O número sobe para 71% entre a população de 18 a 24 anos. A pesquisa ouviu 32.924 trabalhadores em 17 países, sendo 5.768 na América Latina, entre 1 de novembro e 24 de novembro de 2021.

Desde a joint venture com o SoftBank no ano passado, as operações da WeWork na América Latina ganharam independência. A nova campanha é focada no meio digital e é a primeira da companhia idealizada na própria América Latina - e não nos Estados Unidos, sede da empresa, e reproduzida na região. Ela irá circular no Brasil, Costa Rica, Colômbia, Chile, Argentina, Peru e México.

“Até então, nós recebíamos a campanha global, traduzíamos e fazíamos algumas adaptações aos contextos de cada país. Com a joint venture, ganhamos autonomia para desenvolvermos nossas próprias campanhas ‘tropicalizadas’, como a ‘Renunciamos’, que é a primeira criada especificamente para a região.”

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De acordo com o CMO da WeWork na América Latina, além de estimular empresas para que ofereçam o serviço como benefício, o objetivo da campanha é também que funcionários vejam a flexibilidade do trabalho como algo positivo. “Ter a WeWork como benefício pode também ser um critério de desempate para alguém que recebeu proposta de duas empresas, por exemplo”, disse.

Ele explica que, antes da pandemia, era normal que a ideia de coworking fosse relacionada a startups ou a trabalhadores autônomos, mas esse cenário mudou. “Atualmente, a maioria das nossas empresas-membros são grandes empresas e multinacionais”, conta.

A WeWork tem 32 escritórios no Brasil, o maior número na América Latina, seguido pelo México. Já em número de membros, o México é líder, enquanto o Brasil ocupa a segunda posição. Na região, os números já superam patamares pré-pandemia com a maior quantidade de clientes desde a inauguração no Brasil em 2017.

(Corrige número de prédios e de membros no último parágrafo às 12h00)

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Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

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