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Novo unicórnio mexicano: Stori estende sua Série C com US$ 150 milhões

Fintech de cartões de crédito agora vale US$ 1,2 bilhão e se torna o segundo unicórnio mexicano no ano, mesmo em ambiente com maior restrição a capital

Os cofundadores da Stori, Marlene Garayzar e Bin Chen.
15 de Julho, 2022 | 10:30 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — O inverno das startups não impede o nascimento de novos gigantes. A Stori é o mais novo unicórnio mexicano, com valuation de US$ 1,2 bilhão, após receber uma extensão de US$ 150 milhões de sua rodada Série C.

Esse capital se soma aos US$ 200 milhões recebidos em outubro de 2021, dos quais US$ 125 milhões foram capital de risco, em uma rodada co-liderada pela GGV Capital e pelo investidor em estágio de crescimento GIC, o fundo soberano de Singapura. Os US$ 75 milhões para financiamento de dívida vieram da Community Investment Management.

A fintech de cartão de crédito, que busca trazer inclusão financeira aos mexicanos não bancarizados, recebe a rodada late-stage em um ambiente difícil para startups.

Marlene Garayzar, cofundadora da Stori, disse à Bloomberg Línea que a startup recebeu “a confiança dos investidores em um período em que se fala em recessão e em que o acesso ao capital vai ficar cada vez mais caro”, em referência a dois dos principais desafios das startups.

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A startup cofundada por Garayzar recebeu a extensão apenas nove meses depois de levantar capital uma das maiores rodadas de Série C da América Latina.

Os novos US$ 150 milhões captados são compostos por um investimento de capital de risco de US$ 50 milhões da BAI Capital, da GIC e da GGV Capital, juntamente com a participação de outros investidores novos e existentes, incluindo Lightspeed Venture Partners, General Catalyst, Vision Plus Capital, Goodwater Capital, Tresalia Capital, e Davidson Kempner Capital Management LP, além de uma linha de crédito de US$ 100 milhões de Davidson Kempner.

Agora a Stori faz parte do clube mexicano de unicórnios formado por Kavak, Clip, Bitso, Konfío, Clara, Merama e o também recém-chegado Nowports. Startups bilionárias com DNA mexicano ou que começaram no México como o principal mercado também são considerados membros do clube: são os casos de Jokr, Incode ou Jeeves.

O México tem, portanto, 20% dos unicórnios da região, o segundo país da América Latina com maior número de unicórnios, atrás apenas do Brasil, que tem 58%, segundo o relatório Panorama de Venture Capital na América Latina da Endeavor e da Glisco Partners.

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Em termos de setores, fintech como a Stori representam 35% dos unicórnios da região, seguidas por e-commerces e marketplaces com 26% e startups de transporte e logística com 10%.

O negócio da Stori

O México e a América Latina estão entre as maiores oportunidades para fintech, com mais de 400 milhões de consumidores que não têm serviços bancários tradicionais, segundo estimativas da Stori.

Em entrevista anterior à Bloomberg Línea, Bin Chen, CEO da Stori, estimou que mais de 90% dos mexicanos não têm acesso a crédito e que sua solução difere da do Nubank (NU) porque busca uma base de clientes menos consolidada do que a fintech brasileira, que era o unicórnio mais valioso da América Latina antes de ser listado na Bolsa de Valores de Nova York no fim de 2021.

A fintech oferece linhas de crédito que variam de 1.000 a 10.000 pesos mexicanos e são destinadas a pessoas que não possuem histórico de crédito e cujo risco é avaliado com tecnologia próprietária da Stori. Hoje a taxa de concessão de crédito é de 95%.

A procura pelos cartões da Stori cresceu impulsionada pela pandemia de Covid-19, momento em que os usuários foram empurrados para usar serviços financeiros de forma digital ou remota, segundo Garayzar.

O novo unicórnio mexicano tem 1,4 milhão de usuários de cartão de crédito desde sua criação em janeiro de 2020, e o objetivo é chegar a 2 milhões de usuários até o final de 2022.

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A executiva afirma que continuará monitorando os principais indicadores na medida em que a fintech cresce de tamanho, como o custo de aquisição de cliente (CAC), que é muito importante para o negócio. “Como financiadores, não podemos deixar de monitorar os dados”, disse.

Essa extensão de sua Série C, segundo Garayzar, encontra a Stori com unit economics saudável, algo que os investidores estão monitorando mais de perto nesses tempos de incerteza econômica.

“O investimento não vai parar, mas vai para as empresas que têm muita clareza sobre quando vão dar lucro”, esclareceu, e garantiu que a Stori está nesse caminho.

Com o novo capital, a Stori planeja continuar crescendo no México e estudando outros produtos além do crédito, como carteiras digitais e um super app onde os usuários podem fazer todo tipo de pagamento, para recargas de água, luz, telefone e outros.

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No médio prazo, Garayzar compartilha que quer chegar a outro país da América Latina onde a inclusão financeira é urgente, embora ainda esteja avaliando qual poderá ser o próximo mercado.

Ela e a equipe de cofundadores da Stori não descartam se tornar uma empresa de capital aberto em breve, depois de alcançar o status de unicórnio.

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Yanin Alfaro (BR)

Yanin Alfaro (BR)

Jornalista com experiência em startups e tecnologia

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