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Ex-bilionários: conheça os brasileiros que perderam esse status em 2022

Em um ano, executivos controladores das tech listadas na B3 tiveram redução de até 90% no patrimônio com a desvalorização de suas ações

Algumas das empresas de tecnologia que estrearam na bolsa em 2020 e 2021 já perderam cerca de 90% do valor
04 de Julho, 2022 | 01:30 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — Há um ano, o mercado de capitais no Brasil vivia um momento inédito de euforia e geração de riqueza. Em um ambiente de juros baixos, na casa de 2% a 4,25% ao ano, dezenas de empresas, muitas de tecnologia, abriram o capital na bolsa brasileira, a B3, tornando seus fundadores e principais acionistas bilionários da “noite para o dia”, coroando uma trajetória de sucesso de empreendedorismo.

Como parte de uma onda de ofertas públicas iniciais de ações (os IPOs, na sigla em inglês) que começou em 2020 e se estendeu por um ano e meio, pelo menos 40 brasileiros entraram para o seleto clube dos bilionários no ano passado, segundo informações da Forbes. Foram 28 IPOs em 2020 e outros 49 no ano seguinte, sem contar as ofertas subsequentes de ações, os follow-ons.

Mas a virada do mercado brasileiro, inicialmente em junho do ano passado e, mais recentemente, em abril deste ano, tornou muitos dos novos bilionários dos IPOs novamente milionários. Desde o recorde de 130.776,27 pontos em junho de 2021 até o fechamento na última sexta (1) aos 98.953,90 pontos, o Ibovespa, índice de referência da bolsa brasileira, perdeu quase 25% do valor. Em muitos casos, especialmente das techs brasileiras, a queda foi ainda mais acentuada, acima de 50%.

A Bloomberg Línea analisou a evolução do patrimônio dos então novos bilionários levando em conta a fatia acionária que esses empreendedores e executivos possuem em suas empresas, o que geralmente é a principal fonte de patrimônio.

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Israel Fernandes Salmen e Ofli Campos Guimarães, cofundadores da Méliuz (CASH3), José Roberto Nogueira, fundador da Brisanet (BRIT3), Pedro Paulo Chiamulera, fundador da ClearSale (CLSA3), Gilberto Mautner, cofundador da Locaweb (LWSA3), e Pedro Albuquerque, cofundador do TC (TRAD3), são alguns dos casos de ex-bilionários, uma vez que suas empresas listadas na B3 em 2020 ou 2021 despencaram neste ano, em maior ou menor grau junto com o setor de tecnologia.

Mesmo quem se manteve bilionário em reais teve queda expressiva. Alexandre Ostrowiecki, CEO e principal acionista da Multilaser (MULT3), tinha um patrimônio de R$ 5,15 bilhões quando a empresa fez o seu IPO em julho de 2021. Hoje, o empresário detém 39,54% da empresa, o que corresponde a R$ 1,3 bilhão em relação à atual capitalização de mercado de R$ 3,13 bilhões da Multilaser.

Veja abaixo os bilionários de 2021 que viraram milionários em 2022:

Israel Fernandes Salmen e Ofli Campos Guimarães

Segundo a Forbes, em 2021, a fortuna dos maiores controladores da Méliuz era estimada em R$ 1,15 bilhão para cada um. Os fundadores da empresa de cashback, que foi para o IPO no final de 2020, viram o patrimônio dar um salto na época, mas agora acumulam perdas. Segundo informações da Bloomberg, Salmen detém 17,51% da Méliuz, o que agora representa um patrimônio de R$ 154 milhões.

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Já Guimarães, que possui 10,45% das ações, viu o patrimônio pessoal cair para R$ 92 milhões.

As ações da Méliuz já perderam mais de 90% do valor desde o recorde há pouco menos de um ano.

José Roberto Nogueira e família

José Roberto Nogueira é fundador da Brisanet, maior provedora independente de internet de fibra óptica do Brasil. A empresa realizou o seu IPO em julho do ano passado, o que elevou o patrimônio de Nogueira e sua família para R$ 4,8 bilhões, segundo dados da Forbes até junho do ano passado. O executivo, que detém 33% da empresa, agora tem um patrimônio de R$ 266 milhões. As ações da Brisanet recuam cerca de 87% desde o momento de cotação mais elevada, em julho do ano passado.

Pedro Paulo Chiamulera

A ClearSale, empresa de software brasileira para soluções antifraude, que tem sites de e-commerce como clientes, abriu o capital em julho de 2021, movimentando R$ 1,3 bilhão. Pedro Paulo Chiamulera, fundador da empresa, chegou a ter um patrimônio de R$ 2,53 bilhões, segundo dados da Forbes até junho do ano passado. Agora, ele tem R$ 262 milhões decorrente de sua participação de 35,29% na empresa. As ações da ClearSale acumulam queda aproximada de 85% desde o pico há cerca de um ano, depois da estreia.

Gilberto Mautner

Gilberto Mautner é um dos sócios-fundadores da Locaweb. O IPO da empresa de tecnologia no início de 2020 elevou o patrimônio de Mautner para R$ 1,23 bilhão, segundo dados da Forbes até junho de 2021. Agora, os 6,09% de participação equivalem a uma fortuna de R$ 205 milhões. As ações da Locaweb recuaram mais de 80% desde o pico em fevereiro de 2021, mas ainda estão acima do IPO.

Pedro Albuquerque Filho

Pedro Albuquerque é cofundador e CEO do TC (ex-TradersClub), plataforma voltada para investidores de varejo e institucionais com análise de informações financeiras das empresas da bolsa. Com o IPO em julho do ano passado, Albuquerque se tornou bilionário, com patrimônio de R$ 1,19 bilhão, segundo dados de junho de 2021 da Forbes. Hoje, os 26,60% da empresa levaram a sua fortuna para R$ 351 milhões. As ações do TC acumulam queda de 64% desde o pico no fim de julho do ano passado.

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- A Bloomberg Línea concorre com a Forbes em oferecer notícias e informações financeiras.

- Matéria atualizada para retirar a citação a Eduardo L’Hotellier, CEO da GetNinjas, que embora tenha sido impactado com a queda de 86,08% das ações da empresa e detenha 14,59% da GetNinjas, não chegou a ser bilionário

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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