Negócios

Safra: uma das maiores disputas de herança da história pode estar chegando ao fim

Venda da fatia nos negócios de Alberto Safra poderia injetar até US$ 5 bilhões na sua empresa de investimentos, disseram pessoas familiarizadas com o assunto

Fachada do banco Safra em São Paulo
Por Rachel Gamarski e Felipe Marques
01 de Julho, 2022 | 11:06 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — 13h18: Atualiza com informações sobre a ASA Investments, no 13º parágrafo

Alberto Safra está tentando vender sua fatia no multibilionário império da família Safra para seus irmãos, o que poderia colocar fim a uma das maiores disputas sobre heranças da história, disseram pessoas com conhecimento do assunto sob condição de anonimato.

Alberto, um dos quatro filhos do falecido banqueiro bilionário Joseph Safra, quer vender sua participação como parte de um plano ambicioso para transformar seu próprio family office em um dos maiores da América Latina. Ele tem dito a interlocutores que a venda de sua fatia nos negócios poderia injetar até US$ 5 bilhões em sua empresa de investimentos ao longo de uma década, já que os pagamentos aconteceriam gradualmente.

Excluindo sua mãe, Vicky Safra, os quatro filhos de Safra teriam uma fortuna de cerca de US$ 3,4 bilhões cada um atualmente, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index, que avalia suas empresas de capital fechado com base nos pares de capital aberto. Seus negócios mais valiosos - três bancos com cerca de US$ 100 bilhões em ativos - cresceram de forma constante nos últimos anos.

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As negociações ainda estão em curso há algum tempo e envolvem múltiplas jurisdições. Não está claro quando - ou mesmo se - haverá um acordo entre os irmãos.

A assessoria de Alberto Safra não comenta. Um representante dos irmãos não respondeu ao pedido de comentário feito pela Bloomberg.

A fortuna da família Safra é vasta e global, com mais de 180 anos. Eles possuem o Banco Safra no Brasil, o Safra National Bank of New York nos Estados Unidos e o J Safra Sarasin na Suíça, além de imóveis, incluindo o edifício Gherkin em Londres e o 660 Madison Avenue em Nova York, e também uma participação na empresa de bananas Chiquita Brands International.

Divisões entre a família

Após a morte de Joseph Safra em dezembro de 2020, o que deveria ser uma sucessão longamente orquestrada foi parar em um tribunal de Nova York, expondo as divisões dentro da família.

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Joseph Safra passou mais de uma década planejando sua sucessão, que envolveu múltiplos testamentos, transferências de ativos e até preparar seus filhos para o comando. Mas Alberto alegou em uma petição judicial em agosto que, depois de deixar os negócios da família em 2019, seu pai “mudou rapidamente seus testamentos” para cortá-lo da herança e aumentar a participação de seus irmãos proporcionalmente. Joseph Safra morreu aos 82 anos.

Alberto então pediu a um juiz que o deixasse buscar provas nos EUA para uso em uma contestação ao testamento de seu pai que ele pretendia mover na Suíça.

Na ocasião, um porta-voz da família Safra disse que não havia base para contestação do testamento de Joseph Safra.

Acordo extrajudicial

Enquanto a disputa nas cortes pela herança está se arrastando pelo processo de descoberta de evidências, os Safras tentam chegar a um acordo extrajudicial, disseram as pessoas. Além de Alberto, David e sua mãe, outros membros importantes da família incluem seu irmão mais velho, Jacob, e sua irmã, Esther.

Sob os termos atualmente em discussão, Alberto seria impedido de criar um novo banco para competir com seus irmãos depois de vender sua participação nos negócios da família, disseram as pessoas. Alberto planeja usar os recursos para capitalizar a ASA Investments, um negócio que ele criou depois de deixar o Banco Safra, que é em parte seu family office, mas também uma gestora de ativos que vende produtos para investidores externos (as operações são apartadas).

É improvável que um acordo traga mudanças no cotidiano do império Safra. Há décadas, Jacob supervisiona os negócios da família no exterior. Depois que Alberto se afastou do Banco Safra no Brasil, David assumiu o controle total das operações no país. Esther é educadora e não tem vínculos com o banco.

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Já Alberto vem se movimentando para fortalecer seus próprios negócios. A ASA fez uma série de novas contratações neste ano, incluindo Fabio Kanczuk, ex-diretor de Política Econômica do Banco Central. Também comprou a CORE Real Estate Gestão de Investimentos para expandir as ofertas imobiliárias da empresa. Outra recente contratação da ASA foi Angelo Polydoro como economista de internacional. Ele estava na JGP.

Um acordo entre os irmãos espelharia como seu pai acabou com outra briga familiar no passado. Joseph Safra e seu irmão Moise se separaram nos anos 2000, quando um desentendimento entre eles levou Joseph a criar um banco rival do outro lado da rua. Para encerrar a disputa, Moise vendeu sua parte dos negócios da família para Joseph em 2006 por reportados US$ 2,5 bilhões na época.

Moise morreu em 2014 - como seu irmão, ele também sofria de doença de Parkinson e câncer.

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