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Brasília em Off: A irritação de Lira com Guedes

Lira acusa Guedes de dificultar uma solução para os preços do combustíveis e Sachsida de só seguir a mesma linha do ex-chefe

Para bloquear a MP, a equipe econômica já concordou em ceder com medidas de forte apelo eleitoral como auxílio caminhoneiro, além de turbinar o Auxílio Brasil e o vale-gás
Por Martha Beck
25 de Junho, 2022 | 07:28 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — É crescente a irritação do presidente da Câmara, Arthur Lira, com os ministros da Economia, Paulo Guedes, e de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, que tentam a todo custo bloquear a edição de uma medida provisória para modificar a lei das estatais. Lira acusa Guedes de dificultar uma solução para os preços do combustíveis e Sachsida de só seguir a mesma linha do ex-chefe.

Para bloquear a MP -- que possibilitaria aumentar a ingerência do centrão sobre a Petrobras (PETR4; PETR3) -- a equipe econômica já concordou em ceder com medidas de forte apelo eleitoral como auxílio caminhoneiro, além de turbinar o Auxílio Brasil e o vale-gás.

Guedes também quer acelerar a entrada de Caio Paes de Andrade na Petrobras. Andrade recebeu do presidente Jair Bolsonaro a missão de segurar preços de combustíveis até a eleição.

Ministério de Lula

É consenso entre integrantes da campanha do PT que Aloizio Mercadante, coordenador do programa de governo do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, não deverá se tornar o chefe da equipe econômica caso o partido vença a disputa eleitoral. Falta a ele uma boa articulação com o Congresso, algo considerado essencial para o avanço da agenda econômica que Lula quer abraçar caso seja eleito. Além disso, Mercadante não representa uma visão econômica de centro.

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Isso, no entanto, não quer dizer que ele não vá ter um papel na área. Se eleito, Lula vai desmembrar o Ministério da Economia, retomando a separação entre Fazenda, Planejamento e Desenvolvimento. Mercadante poderia ser o chefe do Planejamento, responsável por um amplo programa de investimentos públicos.

Estratégicos

Três aliados importantes de Lula no Nordeste também terão papel estratégico num eventual governo do ex-presidente. Os ex-governadores do Maranhão Flávio Dino, do Piauí Wellington Dias, e o senador Jaques Wagner estão participando da campanha, mas foram aconselhados a se recolher e falar menos. A ideia é preservar na briga eleitoral quem pode vir a comandar pastas essenciais como a Justiça, no caso de Dino, e a Casa Civil, no caso de Wagner. Dias, por sua vez, é um nome coringa para a articulação com os governadores.

Estratégia da campanha de Bolsonaro

A equipe de marketing da campanha de Bolsonaro vem reclamando da falta de proximidade com o presidente. Essa turma espera que o retorno do ex-secretário de comunicação do governo federal Fabio Wajngarten ao Palácio do Planalto sirva para fazer uma ponte mais sólida entre Bolsonaro e o núcleo profissional da campanha.

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