“As criptomoedas estão se expandindo na América Latina, mas educação e regulação são essenciais para sustentar a confiança.”

Entrevista com Daniel Acosta, Vice presidente de Produtos comerciais, criptodivisas e blockchain para Mastercard América Latina e Caribe

Bloomberg Línea
Tempo de leitura: 3 minutos

P: A crescente adoção de criptomoedas na América Latina é realmente um fato comprovado ou estamos vivendo mais uma bolha?

R: No final do ano passado, juntamente com a Americas Market Intelligence (AMI), realizamos uma pesquisa com consumidores e pequenas empresas em vários países da América Latina. A pesquisa revelou uma região em ebulição, com um elevado número de “cripto-curiosos”, como são chamadas as pessoas interessadas em moedas digitais mas que ainda não as usam. Já um estudo mais recente, o Índice de Novos Pagamentos 2022 da Mastercard, mostrou que 51% dos latino-americanos entrevistados realizaram pelo menos uma operação com criptomoedas durante 2021. Quando vemos os resultados de ambos os estudos, podemos dizer que a adoção de criptomoedas é mais do que uma bolha na América Latina.

À medida que a expansão das criptomoedas na região progride, o mesmo acontece com o público e o uso dado a elas. No início, as criptomoedas estavam associadas aos setores de maior renda e mais tecnológicos, que as viam principalmente como um investimento, mas o estudo AMI-Mastercard revela uma mudança no perfil dos cripto-curiosos: cripto-curiosos de baixa e média renda (68%) já superam os de alta renda (32%), o que nos faz prever que a próxima geração de usuários de criptomoedas será mais variada.

Além disso, os consumidores também estão mudando a forma como usam os ativos digitais. Enquanto o uso de criptomoedas para enviar remessas lidera atualmente, adotado como forma de proteger os valores da inflação e da desvalorização das moedas locais e ao mesmo tempo para minimizar os custos de processamento desses pagamentos, as criptomoedas também começam lentamente a entrar no cotidiano como um método de pagamento: 39% dos latino-americanos revelam ter feito uma compra com stablecoins no ano passado, segundo o Índice de Novos Pagamentos.

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P: Os novos métodos de pagamento podem coexistir com os tradicionais?

R: Na verdade, eles já o fazem. O Crypto Card Program da Mastercard é um exemplo. Ele permite que os consumidores que possuem carteira com saldo em criptomoedas usem nossos cartões para pagar com esse saldo em qualquer estabelecimento que aceite nossa marca. Para o comércio acaba sendo uma transação igual a qualquer outra, pois ele recebe o pagamento em moeda local. A conversão da criptomoeda para a moeda local é executada instantaneamente para que o pagamento seja processado. Desta forma, o comerciante pode aceitar o pagamento sem ter que receber criptomoedas diretamente e finalizar essa transação em segundos com o apoio da segurança da Mastercard.

P: Que tipos de alianças a Mastercard tem com emissores, exchanges e bancos centrais?

R: A Mastercard é a parceira preferida de todos os agentes da cadeia de pagamento de criptomoedas. Através do nosso programa Start Path Crypto, apoiamos a inovação de empreendedores e empresas de ativos digitais para que eles possam fazer a transição para o universo cripto através de nossa rede e nossos produtos. Este ano, adicionamos duas fintechs da América Latina ao programa: Bifty, do Brasil, e Belo, da Argentina. Também temos o Programa Crypto Card, que permite o uso de criptomoedas para operações diárias por meio de parcerias com exchanges e carteiras digitais por meio da conversão de criptomoedas em dinheiro.

É importante ressaltar que, conforme identificado pelo estudo AMI-Mastercard, 32% dos consumidores da região preferem usar seus cartões de crédito, débito ou pré-pago para fazer suas operações com criptomoedas. Os cartões Mastercard também oferecem programas de recompensa que permitem aos consumidores resgatar seus pontos em criptomoedas ou ganhar diretamente criptomoedas para compras futuras. Também temos uma série de serviços para usuários e consumidores que estão adentrando na economia cripto que garantem os mesmos níveis de segurança e confiança que nossos métodos tradicionais de pagamento.

Além disso, estamos trabalhando ativamente em conjunto com os vários governos da região para ajudá-los no processo de expansão da economia cripto e apoiá-los no desenvolvimento de suas próprios moedas digitais (CBDCs na sigla em inglês). A vinculação do Sand Dollar do Banco Central das Bahamas a um cartão Mastercard é um exemplo de como as alianças são usadas. Empresas público-privadas podem prosperar no espaço digital. Na Mastercard, estamos comprometidos em ajudar os bancos centrais a alcançar consumidores e empresas com transações simples e seguras, ao mesmo tempo em que trazemos utilidade as CBDCs.

Mastercard muito mais que cartão.

Mastercard Brasil

Muito mais que cartão.